Dólar cai para a 2 menor cotação do ano
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quarta-feira, 02 de abril de 2003
Agência Folha 
São Paulo - O dólar comercial caiu 1,44% ontem e fechou a R$ 3,265 na venda, segunda menor cotação do ano. O valor mais baixo, por enquanto, é do fechamento do dia 14 de janeiro (R$ 3,258).
Dois fatores tiveram forte contribuição para a queda da moeda ontem.
No mercado interno, pesou a expectativa da aprovação ontem no Congresso a emenda que regulamenta o artigo 192 da Constituição, que trata do sistema financeiro nacional e pode abrir uma brecha para a autonomia do Banco Central. No ambiente externo, gerou otimismo nos mercados a notícia de que as tropas da coalizão estariam bem próximas de Bagdá.
Com a notícia, as Bolsas internacionais apresentaram desempenho positivo (o índice da Dow Jones, o principal da Bolsa de Nova York, fechou em alta de 2,67%), o que se reflete nas negociações com títulos brasileiros e faz o risco-país recuar.
Segundo Vladimir Caramaschi, economista-chefe da corretora Fator Doria Atherino, a questão da guerra e o andamento da política interna é que vinham prejudicando o mercado de câmbio. Com a possibilidade das tropas da coalizão chegarem a Bagdá e o avanço das reformas estruturais no Brasil, crescem as apostas na queda do dólar.
No final da tarde, o risco Brasil caía 3,38%, para 969 pontos básicos, menor patamar desde 22 de maio do ano passado, quando fechou nesse mesmo nível. O C-Bond, principal título da dívida soberana brasileira, avançava 0,38%, cotado a 81,81% do seu valor de face, maior valor desde 17 de abril de 2002, quando foi negociado a 82,25% do seu valor de face.
Bolsa - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 2,41%, aos 11.872 pontos e volume financeiro de R$ 1,42 bilhão. Ontem, a Bolsa bateu o recorde históricos de negócios em um único pregão: 52 mil. A marca anterior havia sido registrada em 14 de agosto do ano passado (49.059).
Do volume tototal de ontem, R$ 450,620 milhões foram referentes ao leilão de venda de quase 10% do capital votante da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) pela Valia, fundo de pensão da Vale do Rio Doce.
''Suspeito dessa corrida rápida do mercado da tristeza para a alegria. Pode ser apenas um movimento especulativo dos investidores estrangeiros, de olho em ganhos de curto prazo'', diz o operador da corretora paulista RMC, William Celso Scarparo.
Na sua opinião, as notícias sobre os fortes ganhos da Bovespa acabam atraindo a atenção e o dinheiro das pessoas físicas interessados em lucrar um pouco com o chamado ''otimismo'' do mercado.
''Sempre existe algum pequeno investidor que decide entrar na dança. O problema é que a Bovespa depende de recursos externos. Ou seja, se os estrangeiros decidem retirar o dinheiro, isso derruba o mercado'', afirma Scarparo.


