Dolár cai mesmo com petróleo em alta
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terça-feira, 02 de abril de 2002
Agência Folha 
Moeda americana fechou com baixa de 0,22% e mercado futuro de juros se manteve estável. Mas mercado acredita que elevação da gasolina pode pressionar inflação
São Paulo O acirramento dos conflitos no Oriente Médio e a consequente alta dos preços do petróleo não afetaram diretamente as negociações nos mercados brasileiros ontem. Mas continuam como um foco de preocupação a ser acompanhado atentamente pelo mercado.
O dólar continuou em queda, o que levou alguma tranquilidade ao mercado de juros. A Bovespa caiu mais 1,64%, puxada pela baixa das Bolsas nos EUA (Nasdaq caiu 3,13% e Dow Jones, 0,47%). A Goldman Sachs fez um alerta pessimista para o desempenho das empresas de tecnologia. O conflito no Oriente Médio ampliou a tensão nas negociações.
A Bovespa, que chegou a ensaiar alta pela manhã, mais uma vez puxada pela Telemar, não conseguiu sustentar a valorização na etapa final do pregão.
O dólar continuou em queda, desta vez mais modesta, de 0,22%, para R$ 2,299. Operadores mostraram preocupação com a alta dos preços do petróleo. Ela pode fazer com que a Petrobras repasse esse aumento para seus preços, pressionando, assim, a inflação.
Uma perspectiva de inflação fora do controle cria o temor de que o processo de redução dos juros brasileiros seja interrompido.
Mas ao mesmo tempo houve várias notícias a respaldar a queda da cotação. Entre elas, o aumento do volume de operações e o fato de várias empresas estarem fechando operações de captações.
Outros dois boatos ganham força entre os operadores. Um deles é o de que empresas não estariam renovando operações de hedge (proteção cambial). Uma delas, ontem, teria sido a Telefônica. Outro fala sobre uma possível elevação do rating brasileiro pela Standard & Poors.
Além disso, recentes pesquisas de intenções de voto para as eleições presidenciais deste ano apontam um bom desempenho, até agora, do pré-candidato José Serra (PSDB). A perspectiva de continuidade da atual política econômica agrada ao mercado.
Segundo Maurício Zanella, diretor do banco Lloyds TSB, a tranquilidade para os negócios no câmbio ontem foi definida pelo bom dia para o Brasil nos mercados internacionais. Apesar de toda a instabilidade, os C-Bonds, títulos da dívida brasileira, fecharam em leve alta, de 0,23%.
Como o dólar manteve a tranquilidade, os juros no mercado futuro fecharam praticamente estáveis.


