Dólar cai, mas otimismo dura pouco
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segunda-feira, 30 de julho de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Mais uma vez, durou pouco a comemoração com boas novas vindas da Argentina. A aprovação, na madrugada de segunda-feira, da lei de déficit zero pelo Senado (leia abaixo) chegou a motivar compras nas bolsas logo no início do pregão. A Bolsa de Buenos Aires subiu 3,51% e a Bovespa avançou 1,48% nas máximas do dia. Mas este cenário não se sustentou. A Bolsa fechou ontem em baixa de 0,91% na Argentina e de 1,49% no Brasil, ambos os índices na mínima pontuação do dia. Em São Paulo, o giro financeiro foi novamente o terceiro pior do ano, somando R$ 281 milhões.
O mercado já começa a antever mais desaceleração econômica e queda da arrecadação no país vizinho, o que anularia os efeitos dos cortes de gastos. A arrecadação argentina pode ter registrado queda de até 9% em junho. Pressentindo novo problema para Domingo Cavallo, o risco país da Argentina permaneceu altíssimo, em 1.571 pontos base abaixo dos 1.585 de sexta-feira, mas acima dos 1.443 pontos registrados pouco depois da abertura dos negócios ontem. No mais, está prevista para hoje nova paralisação dos piqueteiros.
Tentando recuperar algum espaço e a liquidez perdida, a Bovespa confirmou que lançará, na primeira quinzena de outubro, o mercado futuro de ações. A princípio, serão negociadas apenas os papéis de maior liquidez no mercado. Hoje, certamente esta seleta lista incluiria Telemar, Embratel, Petrobras e Globocabo.
O secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rubens Sardenberg, disse que a aprovação do pacote argentino sinaliza a possibilidade de o Tesouro voltar a ofertar títulos prefixados na próxima semana, mas deixou claro que a decisão dependeria do comportamento do mercado nos próximos dias. O Tesouro Nacional mantém o seu comportamento cauteloso. Ontem, foi divulgado o cronograma de colocação de títulos para o mês de agosto, que prevê venda de até R$ 6 bilhões de LTNs (títulos prefixados) e até R$ 15 bilhões de LFTs (pós-fixados). A última colocação de papéis prefixados feita pelo Tesouro foi no dia 3 de julho, quando foram ofertados R$ 1,5 bilhão em LTNs de 126 dias e o Tesouro pagou taxa média de 21,88%.
Pelo terceiro dia útil consecutivo, o dólar comercial fechou em queda de 1,83%, vendido a R$ 2,4150. Os profissionais das mesas de operação atribuíram o recuo dos preços ontem aos seguintes fatores: à reação favorável com a aprovação pelo Senado argentino do projeto de déficit fiscal zero; ao fluxo positivo de ingresso de recursos no País; à proximidade do vencimento, hoje, do contrato futuro de dólar de agosto na BM&F; e à continuidade das venda de cerca de US$ 50 milhões/dia no mercado à vista pelo Banco Central.
(Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)


