Os empresários do varejo, que trabalham com produtos importados não vêem, em princípio, benefícios com a queda do dólar em torno de R$ 2,45, no câmbio oficial. As importadoras não reduzem preços das mercadorias, dizem os lojistas, mesmo com a moeda em recuo. ''Elas (importadoras) alegam que a maioria dos produtos importados vem da Europa e, em função do euro estar em alta (R$ 3,15), não consegue baixar os preços'', diz a proprietária das lojas Paracatu no Catuaí Shopping Center, Tânia Hara. Em razão disso, os lojistas não conseguem também oferecer vantagens ao consumidor.
De acordo com Tânia, desde quando o dólar começou a sofrer queda, as importadoras estão mantendo os preços . ''Porém na loja, praticamos o mesmo preço de alguns produtos já há dois anos. Ao contrário das lojas de confecções, por exemplo, trabalhamos com uma margem pequena de lucro para continuarmos tendo giro'', explica Tânia, que trabalha com pelo menos 80% dos produtos importados. São produtos italianos, franceses, alemães, poloneses e alguns dos Estados Unidos.
Tânia observa, entretanto, que a mercadoria importada está vendendo bem. Em comparação com as peças de inox (nacionais), ela disse que os produtos em cristais importados estão tendo ótima saída. ''No ano passado, o inox subiu mais de 70%, isso acabou favorecendo os importados'', completou.
Na loja Espetáculo, que vende boa parte dos produtos importados, o sócio proprietário José Perri Neto, disse que ''briga'' com as importadoras para baixar o preço. ''Não conseguimos comprar mais barato, eles culpam o euro'', diz Neto, que vende utilidades do lar e presentes em cristal, inox, entre outros materiais. A consumidora Iara Brandão estava olhando algumas peças importadas e disse que costuma comprar pelo preço, qualidade e beleza. ''Se tiver isso, levo independente de ser importada. Se tiver alguma marca nacional similiar em preço, qualidade e beleza, prefiro a nacional'', contou ela.
Mesmo no Camelódromo de Londrina, onde a maioria dos produtos é comprada no Paraguai, os donos de lojas não estão conseguindo baratear as mercadorias para o consumidor. Um lojista de importado, que preferiu não informar o nome, disse que no Paraguai ''vale'' o dólar paralelo fixado em R$ 2,80 ou R$ 2,85. ''Não adianta aqui estar R$ 2,60'', contou. A dona de uma outra loja de importados, Luciene de Souza, disse que se o dólar cai é pior ainda. ''Para comprar pagamos caro, mas para vender as pessoas querem que a gente baixe o preço porque o dólar está em queda'', comentou.

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