O dólar confirmou ontem a trajetória de queda diante do real, fechando com desvalorização de 1,21% sobre quarta-feira, cotado a R$ 2,532, seu menor valor desde 23 de agosto. O mercado já prevê que a moeda americana poderá atingir R$ 2,50 até a próxima semana. ''Teoricamente, há espaço para a moeda chegar até esse nível. Só não sei se ela se manteria por muito tempo'', diz Marcelo Saddi, do BNP Paribas.
Neste mês, a desvalorização do dólar é de 6,51%. No ano, há valorização de 29,78%. A boa notícia de ontem, segundo analistas, foi a decisão do Supremo Tribunal Federal relativa à tributação sobre os fundos de pensão (leia nesta página). O STF decidiu que essas instituições não têm direito à imunidade tributária. Elas terão de pagar valores pendentes referentes ao Impostos de Renda, que podem atingir R$ 12 bilhões. ''Para o lado fiscal brasileiro, essa é um boa notícia'', avalia Saddi.
A medida indica um aumento da arrecadação e engordará o caixa do governo. A previsão é que a tributação sobre os fundos renda cerca de R$ 700 milhões por ano. Após a divulgação da decisão, o dólar, que oscilou bastante durante a manhã, definiu sua queda.
A desvalorização da moeda continua a ser ditada pelo encerramento de operações de ''hedge'' (proteção) por parte de bancos e empresas. Ao avaliar que a situação argentina caminharia para uma moratória e levaria a cotação do dólar às alturas no Brasil, instituições buscaram proteção cambial, comprando a moeda para impedir que suas dívidas em dólar disparassem.
Como a moeda iniciou movimento de queda, apesar da contínua gravidade da situação argentina, passou a ficar caro apostar na alta do dólar e se iniciou o movimento de venda do dólar.
O mercado continuou a acompanhar a Argentina ontem. A sensação de que governo e Províncias conseguirão um acordo e de que o país obterá a antecipação de empréstimo do FMI manteve o bom humor dos investidores. ''O grande medo era que houvesse uma ruptura do sistema cambial argentino. Mas, agora, essa hipótese parece afastada'', afirma Maurício Zanella, diretor de derivativos do banco Lloyds TSB.
O mercado também continuou animado com a perspectiva de que as empresas brasileiras voltem a fazer captações no exterior. O Grupo Votorantim anunciou anteontem a captação de US$ 300 milhões, a maior já feita por uma companhia brasileira desde os atentados terroristas nos EUA.

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