Dólar cai mais 0,75% e fecha cotado a R$ 2,87
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sexta-feira, 27 de junho de 2003
Denyse Godoy<br> Agência Folha 
São Paulo - Com o mercado animado pelo anúncio de novas captações de empresas brasileiras no exterior, o dólar comercial terminou a sexta-feira em baixa de 0,75%, vendido a R$ 2,878, apesar da rolagem de apenas 67,5% da dívida cambial que vence na terça. Na semana, a moeda norte-americana acumulou desvalorização de 0,41%; no ano, são 23,17%.
Ontem, a Petrobras concluiu uma emissão de bônus de dez anos no valor de US$ 500 milhões e o Banco do Brasil realizou uma captação de 150 milhões de euros (US$ 170 milhões). No caso do banco, o valor final da operação foi o dobro da oferta inicial, por causa da elevada demanda, o que demonstra mais uma vez a confiança dos investidores estrangeiros no País.
Outro fator que animou o mercado foi a deflação de 1% em junho registrada pelo IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado), da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Analistas continuam vendo possibilidade de um novo corte na Selic, a taxa básica de juros da economia que está atualmente em 26% ao ano, no mês que vem, apesar do reajuste das tarifas de telefonia.
O ambiente otimista favorece a estratégia do BC de gradualmente diminuir a renovação de sua dívida cambial. Ontem, a instituição completou a renovação de 67,5% da dívida de US$ 2,48 bilhões que vence em 1º de julho. Nas operações anteriores, o banco havia rolado 95% da dívida, e depois passou a renovar 90%.
Embora o BC ainda possa anunciar uma nova etapa da rolagem para ser realizada na segunda-feira, a renovação de apenas 67,5% foi bem recebida no mercado, em grande parte devido às novas captações, e assim o dólar comercial não teve força para subir.
A pressão sobre as cotações aconteceria na data de liquidação dos títulos, quando os investidores que detêm os contratos eventualmente não-renovados como forma de ''hedge'' (proteção contra oscilações da moeda) procuraria outras formas de se proteger, como comprar dólar nos mercados à vista e futuro. Além disso, é bem-visto o fato de o BC reduzir o seu endividamento cambial.


