Na reunião que convocou para discutir a alta do dólar nos últimos dias, o presidente Fernando Henrique Cardoso ouviu, ontem, dos ministros da área econômica que a saída para esta crise não passa por nenhum tipo de controle cambial. Diferentemente da sexta-feira, quando o governo viveu momentos de muito nervosismo por não conseguir domar o dólar, que atingiu o pico de R$ 2,8350, ontem, o anúncio de que a balança comercial teve superávit de US$ 474 milhões na semana passada e o recuo do dólar, que fechou a R$ 2,72 (leia ao lado) , animaram o clima da reunião.
No encontro, foram discutidas idéias para incrementar este saldo e diminuir as pressões sobre o dólar. A reunião marcada para 17h30 começou com atraso e até o início da noite não havia se encerrado. A convocação da reunião provocou inquietação no mercado, que temia o anúncio de medidas mais drásticas de controle do câmbio. Para desarmar essa expectativa, o governo procurou ao longo do dia, reduzir a importância do encontro, do qual participaram os ministros da Fazenda, Pedro Malan, da Casa Civil, Pedro Parente e do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, além do presidente do Banco Central, Armínio Fraga.
Desde os atentados nos Estados Unidos, foi a primeira vez que o presidente Fernando Henrique convocou a equipe econômica para discutir os efeitos da crise na economia brasileira. Logo depois dos atos terrroristas em Nova York e em Washington, ele chegou a chamar todos os líderes partidários e advertir que o Brasil poderia sofrer consequências importantes com a mudança do ritmo econômico no mundo.
De acordo com fontes do governo, a idéia inicial era fazer uma reunião secreta. Com o vazamento da notícia, os assessores do Palácio do Planalto disseram que a idéia do encontro tinha sido do ministro Sérgio Amaral. Ao mesmo tempo, porém, o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), confirmou que o presidente já estava pensando em reunir a equipe econômica. E garantiu: ''Mesmo que não seja para tomar medidas''. Segundo o porta-voz da presidência, George LamaziŠre, o tema do encontro foi o comércio exterior e a idéia partiu do ministro Sérgio Amaral.
Assessores do Ministério do Desenvolvimento garantiram que Amaral não chegou ao encontro com propostas prontas. Mas ao assumir o ministério, em agosto, o ministro tinha como objetivo dar prioridade a uma lista específica de produtos da pauta de exportações e concentrar esforços para vendê-los em seis países. Embora tenha sido atropelado pelo impactos dos atos terroristas nos Estados Unidos, que mudaram drasticamente o cenário mundial, Amaral ainda não abandonou a sua idéia.
Toda a oscilação do dólar nos últimos dias levou analistas de mercado a questionarem se o empréstimo de US$ 15 bilhões obtidos no novo acordo com FMI seriam suficientes para ajudar o Brasil a pagar suas contas com o exterior. Ou se o País seria obrigado a fazer um ajuste fiscal mais drástico.
De Fortaleza, o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares, garantiu não haver a menor possibilidade, agora, do governo mexer nos números do orçamento deste ano e do próximo. Ou alterar as metas de superávit primário que constam do acordo com o Fundo e foram fixadas em 3,35% e 3,5%, respectivamente. ''O governo não vai ficar mexendo no orçamento a cada soluço da economia''.

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