São Pasulo O dólar comercial terminou ontem abaixo dos R$ 3 depois de três fechamentos consecutivos sendo negociado acima desse patamar. No encerramento dos negócios, a moeda norte-americana foi vendida a R$ 2,983, com desvalorização de 0,66%.
A perspectiva de entrada de recursos captados por empresas brasileiras no exterior voltou a provocar um movimento de ''espiral de baixa'' no dólar que pode continuar nos próximos dias. Com receio de que a cotação da moeda norte-americana recue mais, bancos que têm dólares em caixa se apressam para se desfazer deles e amenizar seus prejuízos. O dólar futuro (junho) tem queda de 0,92%, para R$ 2,995.
Após a recente realização de lucros, o C-Bond voltou a subir. O título mais negociado da dívida externa brasileira fechou vendido a 89,25% do valor de face, com alta de 1,42%. O risco Brasil teve queda de 1,71%, para 800 pontos básicos, mas chegou a romper a barreira dos 800 pontos durante o dia. As contas do governo em ordem, resultado da austeridade da política econômica, são mais um fator para o aumento da credibilidade do País aos olhos dos investidores estrangeiros.
O superávit primário do governo central foi de R$ 9,765 bilhões em abril; no ano, são R$ 24,907 bilhões de economia. O superávit registrado nos quatro primeiros meses do ano supera em R$ 6,107 bilhões a estimativa do governo para o período contida na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Entretanto, o déficit em conta corrente (balança comercial e de serviços e transferências unilaterais de recursos) do Brasil no mês passado chegou a US$ 966 milhões, o maior valor desde junho de 2002 mas o melhor resultado para um mês de abril desde 1994.
Em meio aos ajustes de expectativas de bancos, empresas e investidores depois da decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 26,5% ao ano, a preocupação com o risco de uma crise econômica mundial representa fator de grande preocupação.
Bons resultados divulgados ontem por empresas na Europa, no Japão e nos Estados Unidos ajudaram a impulsionar as principais bolsas internacionais, mas a desvalorização do dólar em relação ao euro e os sinais de enfraquecimento da economia norte-americana desanimam os investidores.

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