Dólar cai e bolsa sobe em dia otimista
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Agência Folha 
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 2,68%, e o dólar caiu 0,24%, ontem, influenciados por uma onda de otimismo que tomou conta do mercado. As razões do otimismo foram principalmente duas. A primeira foi a avaliação que o depoimento de ontem do deputado federal Aloizio Mercadante (PT-SP) não acrescentou fatos novos à CPI dos Bancos.
Havia uma expectativa do mercado de que Mercadante poderia citar fatos novos, nomes de pessoas físicas ou envolver membros do governo em sua fala à CPI. Segundo avaliações, não foi o que aconteceu.
Os boatos que surgiram durante a semana, tentando antecipar o que Mercadante falaria e injetando nervosismo no mercado, só abriram espaço para a realização de lucros de alguns investidores.
Além disso, o provável esvaziamento da CPI dos Bancos impede a paralisação do Congresso, permitindo a retomada da agenda positiva (votação de itens da reforma fiscal e regulamentação de pontos da Previdência). A segunda razão foi baseada nos fundamentos econômicos brasileiros.
Com o mercado interno mais calmo e com a projeção de inflação anual registrada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) reduzida de 12% para 7% - dado divulgado anteontem -, deve haver espaço para uma nova queda na taxa de juros.
A próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) será no dia 19. Há expectativa de uma queda nos juros de mercado de cerca de três pontos percentuais - passando dos atuais 32% (ao ano) para 29%. As falas do presidente do Fed, Alan Greenspan, voltando a dizer que as ações na Bolsa de Nova York estão sobrevalorizadas, podem beneficiar o Brasil, atraindo investidores para cá.
Com medo de uma queda brusca ou de uma mudança na condução da política econômica dos EUA, com a elevação das taxas de juros, os investidores poderiam voltar a procurar os mercados emergentes, mantendo o fluxo de capital verificado nos últimos meses.
No mercado de câmbio, além do mesmo otimismo apresentado na Bovespa, houve também a especulação da entrada de US$ 200 milhões, a curto prazo, de um grande banco estrangeiro no mercado. O dólar comercial, que chegou a cair para R$ 1,67, fechou o dia cotado a R$ 1,68.


