São Paulo - Por muito pouco, a Bolsa de Valores de São Paulo foi a aplicação mais rentável de julho. A Bovespa rendeu 4,6%. O dólar ficou bem próximo, com alta de 4,4%.
Apenas no fim dos negócios de ontem o rendimento da Bolsa acumulado no mês passou o do dólar. A moeda dos EUA chegou a subir 0,94% hoje (o que levaria o ganho do dólar no mês para 5,4%), mas perdeu fôlego no fim do dia, fechando vendida com pequeno recuo de 0,03%. O dólar registrou a maior valorização mensal desde setembro do ano passado, quando a moeda encostou nos R$ 4,00 pressionada pelas turbulências pré-eleitorais.
Quem preferiu apostar nos investimentos que seguem as oscilações das taxas de juros não se decepcionou, mesmo com o corte de 1,5 ponto percentual promovido pelo Copom na Selic (hoje em 24,5% anuais).
O ganho médio dos fundos DI - que tem como parâmetro as taxas de negócios entre bancos - em julho ficou em 2,1%. O Certificado de Depósito Bancário (CDB) para o grande investidor também rendeu, na média, 2,1%. Para os mais conservadores, a caderneta de poupança deu rendimento de 1% no período.
Com a trégua dada pela inflação, a rentabilidade real das principais aplicações financeiras ficou positiva no mês. O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), registrou deflação de 0,42% no mês passado. Nos primeiros meses do ano, a inflação vinha corroendo o ganho real (descontada a alta dos preços) dos investimentos.
Para Hugo Penteado, economista-chefe do ABN Amro Asset Management, não houve uma reversão de tendência na trajetória do dólar. ''Mas se houver muitas concessões para a aprovação da reforma da Previdência, o câmbio pode sofrer uma pressão mais forte.'' O economista projeta que o dólar estará entre R$ 3,10 e R$ 3,20 no fim do ano. Ontem, a moeda fechou a R$ 2,969.
Apesar da alta em julho, o dólar ainda acumula desvalorização de 16,25% diante do real no ano. No primeiro semestre, a Bolsa foi o grande destaque do mercado.

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