O dólar fechou em queda nesta terça-feira (5), atingindo o menor valor de fechamento em mais de dois anos, em uma sessão marcada por apetite global por ativos de risco, apesar das incertezas geopolíticas no Oriente Médio. A moeda norte-americana caiu 1,12% e encerrou o dia cotada a R$ 4,9123 na venda — o menor nível desde 26 de janeiro de 2024, quando havia fechado a R$ 4,9110. No acumulado de 2026, a divisa dos Estados Unidos registra desvalorização de 10,51% frente ao real.

Na Bolsa brasileira, o Ibovespa acompanhou o movimento positivo e encerrou o pregão em alta de 0,62%, aos 186.753,82 pontos. O desempenho foi sustentado, principalmente, por ações de grandes empresas, com destaque para a Ambev, que avançaram após a divulgação de resultados trimestrais acima das expectativas do mercado. O dia foi marcado pela repercussão de uma série de balanços corporativos, que ajudaram a dar direção aos negócios.

No cenário internacional, o mercado permaneceu atento aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, especialmente à situação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas estratégicas para o transporte global de petróleo. Os preços da commodity recuaram nesta terça-feira, em meio a expectativas de um possível desbloqueio da passagem marítima.

O barril do Brent do Mar do Norte para entrega em julho caiu 3,99%, fechando a US$ 109,87. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, recuou 3,9%, a US$ 102,27 o barril.

Segundo autoridades norte-americanas, há esforços em curso para garantir a travessia de embarcações pela região. O Exército dos Estados Unidos afirmou estar preparado para retomar “operações maiores de combate” caso haja uma resposta iraniana à mobilização militar no estreito, que busca permitir que centenas de navios bloqueados no Golfo consigam atravessar a passagem.

“Não buscamos o confronto. Mas tampouco se pode deixar que o Irã bloqueie uma via de navegação internacional a países inocentes”, afirmou o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth.

Apesar de o Irã contestar a versão, Washington afirma que dois navios mercantes de bandeira norte-americana atravessaram o Estreito de Ormuz na segunda-feira com escolta militar. A companhia marítima dinamarquesa Maersk também informou que uma de suas embarcações conseguiu cruzar a região sob proteção das forças dos Estados Unidos.

Ainda assim, analistas avaliam que esse tipo de liberação pontual não representa uma normalização do fluxo na região. De acordo com avaliação da instituição financeira ING, “qualquer alívio” decorrente da passagem de alguns navios “será temporário”, já que o tráfego ainda está longe de operar em condições regulares.

Do lado iraniano, o tom permanece elevado. O presidente do Parlamento do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o Irã “nem sequer começou” sua reação na atual disputa com os Estados Unidos, sinalizando risco de escalada no conflito.

Nesse contexto, o mercado também reagiu às declarações do governo norte-americano sobre o andamento das operações militares. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira que os Estados Unidos concluíram sua fase ofensiva contra o Irã. Segundo ele, a operação — batizada de “Epic Fury” — foi encerrada, conforme comunicado oficial encaminhado ao Congresso.

“A operação está encerrada — Epic Fury — tal como o presidente informou ao Congresso. Concluímos essa fase”, disse Rubio, em declaração a jornalistas na Casa Branca.

A comunicação ocorre dentro do prazo legal de 60 dias que o governo dos Estados Unidos possui para informar o Congresso após o início de hostilidades militares, que foram iniciadas sem autorização prévia do Legislativo.

Apesar da sinalização de encerramento dessa etapa, o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã segue considerado frágil por analistas e agentes de mercado. Eventuais rupturas ou uma nova escalada militar podem provocar novas oscilações, especialmente nos preços do petróleo, que continuam sensíveis a qualquer alteração no fluxo de oferta global. (Com France Presse)

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