Um dia depois da indicação de Armínio Fraga para a presidência do Banco Central, o mercado financeiro abandonou o otimismo provocado pela escolha e voltou a dar sinais negativos.
O câmbio comercial no mercado à vista voltou a subir. Depois de fechar ontem a R$ 1,75, a moeda encerrou ontem a R$ 1,80, com valorização de 2,86% no dia e alta acumulada de 48,64% desde a alteração da política cambial. O movimento não lembrou em nada o nervosismo das semanas anteriores, mas indicou que o resultado da véspera pode não ter refletido as expectativas. Na média do BC, o dólar caiu 1,51%, para R$ 1,77.
O sinal mais negativo veio do mercado futuro de juros, onde as projeções voltaram a subir. Segundo operadores, isso resultou da maior conscientização do mercado de que não haverá afrouxamento da política monetária após a troca de comando no BC.
A alta das taxas na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) também sinalizou que os analistas não descartam nova turbulência à frente, o que poderia
levar a uma rigidez monetária ainda maior.
A projeção de taxa para fevereiro (contrato de março) subiu de 46,66% para 49,4%. Para março, saltou de 43,76% para 52,49%. O BC manteve a taxa over - mercado de juros de um dia, pelo qual o governo sinaliza sua política - em 39% ao ano pelo terceiro dia consecutivo.
A saída de recursos para saldar dívidas no exterior também ajudou a pressionar a moeda. Nenhuma grande remessa foi identificada, mas há uma grande concentração de vencimentos em fevereiro.
Alguns bancos calculam em US$ 3,5 bilhões os pagamentos do setor privado no exterior em fevereiro. O valor inclui vencimentos de títulos (bônus), pagamento de dividendos e importações.

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