Dólar cai 7,25% e fecha em R$ 1,92
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terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Das Agências 
O preço do dólar caiu ontem. Sem as fortes pressões do vencimento de câmbio na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e com os juros em alta desde o dia 19, os bancos iniciaram um movimento mais consistente de venda de dólares e os exportadores intensificaram o fechamento de câmbio, aumentando a oferta de moeda norte-americana.
No fechamento do mercado, o dólar era negociado a R$ 1,92, ante os R$ 2,07 de sexta, o que representa uma desvalorização de 7,25%. No mercado futuro de BM&F, as quedas foram igualmente acentuadas. Os contratos com vencimento em março, cujos preços embutem a expectativa de desvalorização do real para fevereiro, fecharam negociados em baixa de 6,41%, e os contratos de abril, em queda de 7,54%, em comparação aos preços do pregão de sexta-feira.
Não havia quem duvidasse das cotações irreais do dólar na sexta-feira - chegou a bater os R$ 2,15 - alcançadas às custas de muitos boatos sobre moratória e confisco de reais. Sexta foi um dia atípico, em que os grandes investidores trataram de manipular as cotações para infuenciar na formação da taxa média do dia. O terremoto passou, o volume de exportações está aumentando e parece até que houve entrada de recursos, observou Luis Fernando Figueiredo, diretor responsável pela tesouraria do Banco Central.
Se houve ingresso ou não, o País só ficará sabendo dentro de algums semanas, porque desde ontem o BC deixou de divulgar as informações sobre o movimento cambial. De acordo com Figueiredo, há possibilidade de o BC vir a atuar no câmbio para reduzir as pressões sobre as cotações.
AçõesA Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em alta de 8,8%, impulsionada pela valorização de ações de empresas brasileiras no mercado de Nova York. A ADR de Telebrás, que iniciou o dia negociada a US$ 62,90, chegou a ser cotada a US$ 69. Segundo operadores, os papéis foram puxados por declarações do megainvestidor George Soros, que afirmou que o real já estaria subvalorizado em relação ao dólar e que seria um erro tirar dinheiro agora do País (leia ao lado).
O recuo da moeda norte-americana acalmou o mercado financeiro, que viveu um dia de expectativa positiva em relação a novas medidas a serem tomadas pelo governo. Entre os rumores, a eventual privatização da BR Distribuidora. Praticamente todos os papéis mais negociados se beneficiaram da alta: Eletrobrás, 13%, Telebrás, 10%, e Banespa, 17%. A perspectiva de privatização também fez a Comgás ganhar 15%.
As empresas exportadoras perderam terreno com o recuo do dólar. A Aracruz caiu 7,5% e a Vale ON, 4,87%. Segundo analistas, os papéis da Aracruz estavam fortemente sobrevalorizados. O pregão registrou volume de negócios de R$ 566,7 milhões.


