Dólar cai 0,84% e fecha a R$ 2,945
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sexta-feira, 16 de maio de 2003
Ivone Portes<br> Agência Folha 
São Paulo A volatilidade foi a marca dos negócios no mercado de câmbio ontem. Após subir 0,84%, atingindo R$ 2,995, a moeda norte-americana encerrou a sexta-feira na mínima do dia, a R$ 2,945 na venda, com queda de 0,84%. Na semana, no entanto, o dólar acumulou valorização de 2,43%.
Dois movimentos explicaram a volatilidade no câmbio: de um lado, entradas de recursos provenientes de captações feitas no exterior ou de exportações e, de outro, bancos comprando dólares para refazer suas posições e honrar compromissos externos.
Segundo Miriam Tavares, diretora de câmbio da corretora AGK, parte do mercado começou a avaliar que as sucessivas quedas ocorridas recentemente na cotação do dólar foram exageradas, o que provocou um ajuste técnico.
Cautela foi outro fator que teve peso nos negócios de ontem. Segundo Wladimir Caramaschi, economista-chefe da corretora Fator, com as dúvidas sobre a tendência futura do câmbio e dos títulos brasileiros, alguns bancos elevaram a busca por hedge (proteção contra variações futuras do dólar).
''O mercado passou a avaliar se o movimento de ontem (anteontem) foi uma realização de lucros ou refletiu uma visão negativa dos investidores sobre o Brasil'', disse Caramaschi, a respeito da queda superior a 2% do C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, na quinta-feira, acumulando desvalorização de 4% em dois dias. Já o risco Brasil subiu quase 8%, anteontem.
A melhora no câmbio no período da tarde de ontem acompanhou o desempenho positivo dos negócios com títulos brasileiros. O C-Bond voltou a subir com mais força do que pela manhã, apontando valorização de 1,67%, a 87,68% do seu valor de face. O risco Brasil, que chegou a subir quase 2% pela manhã, tinha baixa de 0,98%, para 805 pontos básicos, no momento do fechamento do câmbio.
A expectativa em torno da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central sobre o juro básico (Selic) também inspirou cautela, embora haja praticamente um consenso de que o comitê vai manter a taxa em 26,5%, na reunião da próxima semana.
A estimativa foi reforçada por afirmações feitas por membros do BC, como o próprio presidente da instituição, Henrique Meirelles. Meirelles deu novos sinais de que os juros não devem cair na reunião do Copom desde mês. Ele afirmou ao jornal espanhol ''El País'', na edição de ontem, que o banco será ''conservador' no ''médio prazo''.


