Curitiba Há cerca de um mês e meio o preço da arroba do boi gordo vem caindo numa proporção de R$ 0,50/arroba por semana. De R$ 52,00 em julho, a arroba do boi gordo estava valendo R$ 48,50 na última sexta-feira no Paraná, uma queda de 6,5% em menos de dois meses. Do início do ano, quando a arroba estava cotada a R$ 58,00, a queda já é de 16,4%.
Esse cenário mostra que o preço do boi está definitivamente atrelado ao câmbio e por isso está caindo. Quando maior a desvalorização do dólar, menor o valor da arroba. E isso está acontecendo em pleno período de entressafra, quando em tese o preço do boi gordo deveria estar em alta, disse o economista do Sindicato das Indústrias de Carne (Sindicarnes), Gustavo Fanaya.
Segundo o economista, o clima deixou de influenciar o mercado de boi gordo, desde quando se tornou uma commoditie e, por isso, suas oscilações refletem o fluxo do câmbio e do mercado externo. Ele lembra que, no período de 1999 até meados do ano passado, o boi gordo valorizou bastante com o aumento das exportações e do câmbio, subindo 221% a inflação do período estimada em 120% mais 100%. Em julho do ano passado, a arroba do boi atingiu R$ 62,00.
A partir de então, o preço do boi começou a cair no mercado em função da estagnação do consumo no mercado interno. O dólar, que havia subido muito, começou a cair e o frigorífico exportador perdeu competitividade, disse Fanaya. Em um ano, o câmbio caiu 25% e essa queda não sustentou o mercado.
Para o presidente da Comissão de Pecuária de Corte, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Marcus Minghini, o pecuarista está vivendo o pior momento com os preços mais baixos dos últimos 35 anos. Ele estima que a arroba do boi deveria estar valendo R$ 63,00 para acompanhar os custos de produção, que vêm subindo ano a ano.
Segundo Minghini, o pecuarista que melhorou bastante a produtividade do seu rebanho nos últimos dois anos, agora está se descapitalizando com a venda de patrimônio para honrar compromissos. O custo de produção do gado em confinamento foi calculado em R$ 60,00 a arroba e do gado engordado no campo, está acima de R$ 50,00 a arroba. ''A situação está negra'' disse o pecuarista, ao frisar que não vê possibilidade de reversão no curto prazo.
O pecuarista admitiu que há um excesso de oferta de animais no mercado, ''fruto do aumento de produtividade do setor'', disse. ''Enquanto isso, o consumo de carne no mercado interno não sai de 36,4 quilos per capita/ano, estabilizado há cerca de uma década'', comparou.
Para o pecuarista, o quadro só iria mudar no curto prazo se o governo abaixasse os juros, o que iria promover a valorização do dólar. A longo prazo, ele acredita que pode haver uma retomada do controle de preços por parte do pecuarista, se ele participar ativamente da cadeia produtiva.

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