Curitiba - O salário mínimo teve um aumento real de 87,12% desde julho de 1994, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso, implantou o Plano Real. Caso o mínimo fosse corrigido apenas pela inflação, hoje valeria R$ 213. Neste ano, o salário atingiu a maior cotação em dólar desde 1994. No último mês de abril, valia US$ 187 e agora está em torno de US$ 200. Isso em função da crescente desvalorização da moeda norte-americana.
O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, explica que o poder de compra do mínimo não é medido pelo seu valor em dólar mas pelo que ele consegue comprar da cesta de consumo das famílias de baixa renda.
Por outro lado, a queda da moeda norte-americana acabou contribuindo para a redução do preço de vários produtos na cesta de consumo das famílias. Cordeiro destacou que o dólar pode ter influência direta no aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores. O dólar pode afetar a inflação. Se esta moeda estiver em queda, a inflação é menor e, com isso, o poder de compra do consumidor aumenta.
''O mais importante é ver quantas cestas básicas o mínimo compra. Isso tem mais importância para as famílias que vivem do salário'', disse Cordeiro. Um estudo realizado pelo Dieese aponta que em julho de 1994, o mínimo valia US$ 69,67, em 1998 chegou a US$ 113,04 e depois foi caindo. Em 1999, chegou em US$ 80,82 e em abril de 2003 em US$ 76,96. Segundo ele, com o dólar menor, a inflação é menor e isso afeta o índice de correção do mínimo. ''Se o dólar está em cotação menor vai impactar a inflação. Com a inflação menor, o Banco Central diminui juros, o País cresce mais e há aumento real maior nos salários'', analisa.
Ele destacou ainda que, como o mínimo aumentou em dólar, melhorou a comparação do salário brasileiro com o de outros países. Internamente, aumentou o poder aquisitivo da população. ''Independente da cotação do dólar, o salário vinha tendo aumento em dólar. Com a queda da moeda norte-americana, isso se acelerou, o mínimo passou a valer mais ainda'', disse.
Desde 1994, o mínimo teve uma variação acumulada de 486,51%, a inflação cresceu 213,44% e o dólar 118,50%. Estes números apontam que o mínimo aumentou mais que o dólar e que a inflação.
Histórico - Cid Cordeiro lembra que, em um primeiro momento, os aumentos reais do salário mínimo foram conquistados pela mobilização dos trabalhadores. ''O Congresso aprovava o aumento real e o governo federal ameaçava com veto'', disse. Ele destacou que o aumento real deste ano foi negociado inclusive com a fixação de uma política para os reajustes do período de 2008 a 2011. A partir do próximo ano, o mínimo vai ter a variação da inflação mais o aumento do Produto Interno Bruto (ãB). Em 2011, o governo e as centrais sindicais devem negociar como serão os aumentos para este novo período.
No início do Plano Real, o mínimo valia R$ 64,79. O maior aumento real do salário foi em 1995, quando teve elevação de 22,62% para uma inflação de 16,50%. O segundo maior aumento real foi em 2006 (13,04%) para uma inflação de 3,21% e o terceiro em abril de 2001 (12,17%) para uma inflação de 6,27%. Neste ano, o aumento real foi de 5,10% para uma inflação de 3,30%.
Cordeiro destaca que não foi só o mínimo que teve aumentos reais. Segundo ele, a recuperação mais intensa de renda dos trabalhadores que recebem acima de R$ 380 começou em 2004. Isso porque as negociações salariais estão sendo fechadas com aumento real. ''O emprego em crescimento, também aumenta a renda média das famílias'', disse. No ano passado, 80% das categorias de trabalhadores conseguiram aumento real nos salários. O salário médio do paranaense é de R$ 959,94.
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