Dólar baixo dá vigor às vendas do varejo
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sábado, 02 de junho de 2007
Márcia De Chiara<br> Agência Estado 
São Paulo - O vigor do mercado interno neste ano superou as expectativas mais favoráveis da indústria e do comércio. Quem fabrica ou vende eletrodomésticos, carros, móveis, eletroportáteis, entre outros bens duráveis, não tem do que reclamar. Que o motor do crescimento este ano seria o mercado interno, isso era consenso, diz o economista da LCA Consultores, Bráulio Borges. ''Mas a expectativa era de que as vendas de bens duráveis desacelerassem, o que não ocorreu. Ao contrário: estão aceleradas, e muito.'' Crédito farto, com prazos longos e juros menores, além do aumento da massa de salários, explicam boa parte desse desempenho.
Mas o fôlego extra no consumo doméstico veio com a queda do dólar além das expectativas, observam economistas e empresários. Com isso, os preços despencaram e o consumidor acelerou o ritmo de compras. O câmbio abaixo de R$ 2 provocou queda nos preços dos itens que levam componentes importados e daqueles que enfrentam a concorrência de similares vindos de fora.
Nos automóveis, por exemplo, segmento que está com a demanda superaquecida, a inflação em dois anos está bem abaixo dos índices gerais de preços da economia, diz Borges. O prazo máximo dos financiamentos de veículos também esticou. Há um ano e meio era de 36 meses, hoje é de 72 meses. ''Isso está acontecendo não apenas com os carros e faz uma bela diferença na prestação'', diz o economista.
Por causa dessa conjugação favorável de fatores, a consultoria estima que o consumo das famílias cresça neste ano 5,7% e atinja a maior variação desde 2004. As projeções indicam a mesma tendência neste ano para a venda de móveis e eletrodomésticos (26,5%), veículos novos (16%), materiais de construção (5,8%) e artigos de uso pessoal (21,9%).
''As vendas estão surpreendendo'', confirma Valdemir Dantas, sócio-diretor da Latina Eletrodomésticos, com fábricas em São Carlos (SP) e Recife (PE). A empresa, que fabrica tanquinhos, purificadores refrigerados de água e bebedouros refrigerados, vendeu, de janeiro a abril, uma quantidade de itens 20% maior em relação ao mesmo período de 2006 e faturou 14,8% mais. A expectativa da empresa era ampliar em 10% o volume e a receita.
Nos eletroportáteis, o quadro é semelhante. ''O desempenho do primeiro quadrimestre está acima do esperado'', conta Marcelo Padovani, vice-presidente para América Latina da Philips, dona da marca Walita. Segundo ele, as vendas no Brasil e na Argentina estão surpreendendo positivamente. A taxa de juros em queda ajuda. ''Mas o dólar deu um empurrão a mais no consumo.''
Estima-se no mercado que as vendas de eletroportáteis já cresceram neste ano 20% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2006.


