O mercado cambial saiu para o fim de semana hedgeado (protegido), o que assegurou novo avanço de 1,57% do dólar comercial ‘‘pronto’’ no fechamento, para R$ 2,131, maior cotação desde março de 1999. Apesar da nova disparada do dólar ontem até R$ 2,145, alta de 2,24%, o Banco Central apenas consultou as mesas para saber a razão do avanço de preço, mas não interveio vendendo moeda, como fez três vezes anteontem.
Expectativas negativas sobre o pacote de ajuste fiscal argentino, que seria anunciado à noite, e incertezas sobre o tamanho de um esperado corte do juro pelo Fed nos EUA, na terça-feira, voltaram a inquietar o mercado ontem e motivar compras de dólar para hedge. A situação política doméstica continua sendo monitorada pelo mercado, mas as atenções prevaleceram ontem sobre o cenário externo.
Na quarta-feira, o Copom anunciará se vai ou não cortar a taxa Selic, que está em 15,25%. A expectativa maior no mercado é de manutenção da taxa, por causa do descontrole do dólar e da preocupação do governo com a meta de inflação, de 4% ao ano. Neste mês, até agora, o dólar comercial já subiu 4,10% frente ao real e, em 2001, 9,23%. No mercado à vista ontem, o comercial oscilou 1,61%, entre a mínima de R$ 2,111 (+0,62%) e a máxima de R$ 2,145 (+2,24%).
A alta do dólar tornou baratas as ações negociadas na Bovespa, o que atraiu os investidores estrangeiros. Compras de ADRs e no próprio pregão da Bolsa paulista levaram o Ibovespa a fechar em alta de 1,18%, em 15.237 pontos, descolando-se totalmente do mercado novaiorquino. O volume financeiro somou R$ 671 milhões. Já a Nasdaq caiu 2,56% e o índice Dow Jones recuou 2,07%.
As ações preferenciais e ordinárias da Petrobras reagiram ontem, depois de terem despencado na quinta-feira por causa das explosões na plataforma de Roncador, na Bacia de Campos. Petrobras PN subiu 1,43% e o papel ON avançou 3%. Os investidores reavaliaram as perdas da empresa com o acidente, baseados em recomendações de bancos, que se mantêm bastante positivas.
(Marcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)

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