Buenos Aires – Nenhum argentino quer ficar com pesos no bolso. O resultado foi um dia de pânico ainda maior que o de sexta-feira no mercado de câmbio. O dólar demonstrou estar totalmente fora do controle do governo argentino e saltou 25,8%, vendido a 3,90 pesos no fechamento.
O mercado não tomou conhecimento das mudanças decididas pelo Banco Central no fim de semana – como a redução drástica dos prazos para os exportadores liquidarem seus contratos. Desde o fim da conversibilidade – que atrelou o valor do peso ao dólar por mais de uma década – no início de janeiro, o peso já perdeu 74% de seu valor diante da moeda norte-americana. O dólar chegou a ser vendido a 4 pesos no fim da tarde. Em uma semana, o dólar acumula alta de 59%.
Milhares de pessoas esperaram mais de quatro horas em filas nas portas de bancos e casas de câmbio para trocarem seus pesos por dólares. O maior temor dos argentinos é o repasse da alta do dólar para os preços, ou seja, a perda do poder de compra da moeda do país. Isso tem feito muitas pessoas comprarem dólares para revendê-los dias depois, quando suas contas vencem.
Como aconteceu na sexta-feira, algumas casas de câmbio fecharam suas portas antes do previsto devido à falta de dólares para negociar. O governo reduziu o horário de funcionamento das casas de câmbio, que passaram a abrir uma hora mais tarde e a fechar uma hora mais cedo.
Analistas do mercado argentino acreditam que mudanças na política econômica devem ser anunciadas durante o feriado prolongado da Páscoa e da Guerra das Malvinas, que deixará os bancos e casas de câmbio fechados entre quinta e terça-feira.
O BC volta a realizar um leilão de US$ 50 milhões em papéis cambiais e prefixados hoje. Na semana passada, essa política não surtiu nenhum efeito sobre a cotação da moeda norte-americana.
Intervenção - O Banco Central da Argentina mudou sua forma de intervir no câmbio, como parte das medidas para tentar conter a alta do dólar. A autoridade monetária do país decidiu passar a vender dólares diretamente às pessoas, por meio de instituições financeiras, a um preço inferior ao praticado no mercado.
Quem quis comprar dólares do BC pagou um preço fixado pela entidade. No fechamento de ontem, o dólar do BC custava 3,10 pesos, valor 21% inferior ao praticado no restante do mercado. Esse dólar mais barato tem um teto de compra de US$ 1 mil para pessoa física e de US$ 10 mil para jurídica.
A medida não surtiu o efeito que o governo esperava. Em vez de suprir parte da demanda por dólares e diminuir a pressão no mercado livre, a intervenção do Banco Central se tornou uma fonte para ganhar algum dinheiro: as pessoas compravam os dólares mais baratos em um dos sete bancos que venderam para o BC e os revendiam, embolsando algum lucro.

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