Dólar atinge maior nível em quatro anos
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sábado, 01 de junho de 2013
Agência Estado 
São Paulo - O dólar alcançou na última sexta-feira sua maior cotação em relação ao real em quatro anos, apesar das tentativas do Banco Central (BC) de intervir no mercado. Com a alta de 1,75% de anteontem, o dólar fechou a R$ 2,1470. Desde o início de maio, o dólar se valorizou em 7,24%.
A alta do dólar é um movimento internacional. Com a gradual recuperação da economia americana, investidores avaliam que o Fed (banco central dos Estados Unidos) vai retirar os estímulos monetários. Assim, deve reduzir a oferta de dólares no mercado internacional, pressionando as cotações da moeda americana para cima.
Nos últimos dias o dólar tem se valorizado em relação a moedas de países emergentes. Até sexta-feira o BC não havia resistido à tendência internacional. Não havia feito intervenção no mercado, apesar do risco de a valorização do dólar tornar os produtos importados mais caros e pressionar a inflação.
Nesta sexta-feira, porém, foi diferente. O BC fez uma operação equivalente à venda de dólares no mercado futuro (chamada leilão de swap cambial). Com isso, a valorização do dólar perdeu força por algum tempo, mas voltou a subir. E fechou no maior patamar desde 5 de maio de 2009, quando alcançou R$ 2,148.
No fim da sessão de negócios, o BC ainda fez nova pesquisa com os bancos para se informar sobre a demanda por outra operação como a realizada anteontem, o que abre espaço para mais atuações nesta segunda-feira.
Teto
Para profissionais de mercado ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, é cedo para afirmar que o BC estabeleceu um novo teto para a moeda, em torno de R$ 2,15, mas parece claro que há um desconforto em relação a este nível, levando-se conta as preocupações com a inflação.
A tendência mundial é de valorização do dólar, só que tudo tem um teto. Então, o mercado está testando, disse à agência de notícias Reuters o operador de câmbio da corretora Advanced, Reginaldo Siaca.
Para analistas de mercado, se o BC quiser baixar a cotação, terá de atuar de forma mais intensa. O BC agiu para tentar responder ao mercado. Mas provavelmente, para o dólar se afastar de R$ 2,15, ele terá que bater mais forte, disse ao Broadcast Luiz Carlos Baldan, diretor da Fourtrade. O BC só conseguiu vender cerca de metade dos contratos de swap, porque não houve tanto interesse.
Como não vendeu todos os contratos, profissionais de mercado disseram que a tendência é que o BC volte à carga esta semana. Não está claro, porém, qual seria o novo teto informal para a moeda. Não dá para afirmar nada, porque hoje a liquidez foi baixa. O BC pode entrar de novo a qualquer momento no mercado, comentou na sexta-feira um operador da mesa de câmbio de um grande banco.
Inflação
O que os operadores dão como certo é que o BC vai tentar conter a alta do dólar por causa da preocupação com a pressão sobre os preços. Na quarta-feira, o BC elevou a taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual, para 8% ao ano, para combater a inflação. A última vez que o BC interveio no câmbio foi no fim de março.
Para os analistas financeiros, a cotação da moeda dependerá de dois movimentos, os sinais dados pela economia americana e pela disposição de intervir do governo brasileiro. Na última quarta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega, indicou que o governo estaria disposto a tolerar um real mais fraco para baratear a produção de manufaturados e ajudar a melhorar o desempenho da indústria. Mantega disse que o câmbio não será usado no combate à inflação.
Investidores interpretaram a afirmativa como sinal de que o governo deixaria a moeda flutuar, seguindo as tendências internacionais. A intervenção desta sexta-feira do BC indica, porém, que o movimento terá limites.
A economia dos Estados Unidos deu na sexta-feira sinais mistos, mas os investidores preferiram se apegar aos resultados que sugerem a possibilidade de o Fed começar a reduzir a compra de bônus. O dado mais relevante foi a divulgação de que a confiança do consumidor norte-americano chegou ao maior nível em quase seis anos. O índice do dólar contra uma cesta de moedas subiu 0,3 por cento, acumulando ganho de 1,8% em maio.


