O otimismo do comércio em relação à Páscoa deste ano parece não ter contagiado os fabricantes de chocolate. Com o encarecimento da matéria-prima, estimado entre 40% e 50%, e sem perspectivas de aumentar as vendas, algumas fábricas vão manter a mesma produção de 2002 ou até mesmo reduzi-la.
A opinião é do diretor industrial da Fábrica de Chocolates Salware, Rubens Werlang. Segundo ele, a alta do dólar encareceu muito o chocolate, deixando o setor ''na ponta dos cascos''. As fábricas trabalham, basicamente, com commodities agrícolas, que têm o preço fixado em dólar, como é o caso do cacau em pó e do açúcar.
Além da influência do câmbio, alguns insumos tiveram reajuste nos preços. ''Só para se ter uma idéia, o cacau que era vendido a US$ 2 mil agora custa US$ 4 mil a tonelada'', comparou o empresário. Por conta do cenário desfavorável, a fábrica paranaense de chocolates que tem sede em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, decidiu manter a mesma produção do ano passado 1,7 mil toneladas, que para Werlang já é um bom negócio. ''Dá para dizer que será uma Páscoa razoável'', avaliou.
Do total produzido pela fábrica, 1,2 mil toneladas são para atender a demanda da Páscoa. As barras de chocolate para cobertura, disse Werlang, são o carro-chefe da produção. Mesmo mantendo a produção, a empresa teve que contratar 25 empregados temporários para esse período.
A Páscoa do ano passado foi considerada excelente para o setor industrial, que de acordo com Werlang conseguiu vender 20% a mais em comparação a 2001. Um possível aumento no volume de produção, projeta o executivo, vai ficar para o ano que vem. A fábrica sequer investiu no lançamento de produtos novos para esta Páscoa. ''A alta do dólar desequilibrou o rumo da empresa. Tivemos que concentrar nossos esforços em administrar nossos custos'', disse.

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