Dólar alto faz paranaenses reorganizarem suas viagens
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
As agências de turismo paranaenses tiveram uma queda de 35% nas viagens feitas ao exterior de 2014 para 2016. A informação é do presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Paraná (Abav-PR), Roberto Bacovis. Segundo ele, os consumidores que antes pensavam em viajar ao exterior estão adiando suas viagens para mais tarde, quando o dólar estiver mais estável, optando por destinos nacionais ou adequando o turismo a um novo orçamento. Com isso, as agências que se preparavam para mais um ano de boas vendas o setor vinha crescendo desde 2008 -, estão procurando se adequar à nova realidade.
"O que percebemos dos clientes é que eles estão se adaptando. Se antes passavam 15 dias no exterior, baixaram para dez, se ficavam em hotéis cinco estrelas, ficam em de três. E existe uma parcela significativa que estava aspirando fazer uma viagem internacional e que está protelando mais para frente e que agora se volta para o mercado nacional", diz Bacovis.
Conforme o presidente da Abav-PR, antes da alta do dólar a proporção de faturamento das agências de viagens era proveniente 70% de pacotes internacionais e 30%, nacionais. "As viagens internacionais estavam muito baratas, era mais barato até que viajar pelo Brasil." Hoje, entretanto, essa proporção se inverteu e deve estar em torno dos 60% (nacionais) e 40% (internacionais), afirma Bacovis. "O problema do mercado internacional é um só: a variação do dólar. Quando o dólar ficar estável, vamos ter retomada de vendas."
DESTINOS MAIS PRÓXIMOS
"No Brasil, temos os preços dos pacotes praticamente iguais. Já tudo o que for gastar lá fora precisa ser multiplicado por quatro", comenta o agente de viagens Daniel Feijolli, da Companhia de Viagens. De acordo com ele, a proporção de clientes que optam por viagens dentro do território brasileiro subiu de 60% para 80%. As praias do Nordeste sempre estiveram em alta, porém, também há um público que resolveu viajar para destinos mais próximos de casa, como as praias do Paraná ou de Santa Catarina, acrescenta Feijolli.
A diretora da Albatroz Turismo, Cristiana Pitol Grassano, ressalta que houve, sim, um aumento na procura por destinos nacionais como alternativa aos destinos internacionais desde o ano passado, entretanto, os viajantes também buscam opções para economizarem e não deixarem de ir ao exterior, como promoções de passagens, hotéis e resorts que já incluem a alimentação no pacote ou viagens mais curtas com destinos mais próximos, como na América do Sul.
"Não é uma regra geral, mas continuamos vendendo pacotes internacionais." Ela lembra que ainda há passagens de avião para o exterior, por exemplo, que estão mais em conta que passagens com destinos nacionais. "Os viajantes acabam fazendo um turismo diferente, vão mais para passear e conhecer o local e deixam de fazer compras. As pessoas não querem deixar de aproveitar a oportunidade e acabam se organizando para isso. A viagem já faz parte do orçamento familiar."
PROMOÇÕES
A procura por destinos internacionais caiu cerca de 30% segundo, Giovanni Prata, gerente comercial da agência de turismo Navega Tur, de Londrina. "O dólar alto atrapalhou bastante. Percebo muito que quando o dólar oscila deixa os passageiros com medo. Agora que deu uma estabilizada o passageiro tende a aceitar." Para economizar mais nas viagens internacionais, os consumidores estão em busca de passagens mais baratas, diz Prata. "Eles têm procurado as promoções, mas tem que ter uma certa flexibilidade de datas para isso. Também têm trocado o hotel que queriam por um mais em conta."
"Muita gente deixou de viajar, mas teve quem sempre viajou, e viajou, porém, sem gastar tanto quanto gostaria. Teve companhias aéreas que, com a alta do dólar, fez promoções, porque elas não podem deixar de voar", relatou ainda Alexandre Yamaue, diretor da Takashi Tur, de Londrina.
Para contornar a situação, de acordo com o presidente da Abav-PR, as agências de viagens estão buscando novos mercados, apostando, por exemplo, nas viagens em grupo. "As agências que estão fora da capital têm uma capacidade maior de enfrentar a crise. As pessoas no interior gostam muito de viajar em grupo, e esta é a saída para a crise."


