Dólar ainda dita economia mundial
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sábado, 13 de junho de 2009
Edson Pereira Filho<br> Reportagem Local 
A moeda americana nos últimos dias tem preocupado governos, empresários e despertado dúvidas na população em geral. Tanto que países como o Brasil querem negociar com sua própria moeda na exportação e importação de produtos. O sobe e desce do dólar pode implicar em céu para alguns e inferno para outros. ''Todo mundo quer um câmbio que seja favorável à sua posição no mercado'', avalia Nilson Maciel de Paula, professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O professor de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Antonio Carlos Moretto, explica que o dólar é a moeda padrão utilizada no comércio internacional, por meio de um acordo de 1944, celebrado na cidade americana de Bretton Woods, com os bancos centrais do mundo todo. Moretto explica que os preços dos produtos de cada país e seus respectivos valores são convertidos em dólares para serem comercializados entre as diferentes economias do mundo. ''Para mudar essa relação, é necessário um outro acordo internacional'', pontua.
No Brasil, por exemplo, Moretto esclarece que a oferta e a demanda por dólar estabelece o preço do real em relação à moeda americana. Esse equilíbrio entre dólar e real é dado pela balança comercial. O estudioso explica que a balança comercial é a diferença entre exportação e importação de um país. ''Exemplo, o Brasil importou US$ 1 mil e exportou US$ 2 mil, o saldo positivo da balança é de US$ 1 mil''.
A desvalorização e valorização da moeda é uma espécie de termômetro para o consumo interno, externo e para exportações. O professor de Economia do Centro Universitário de Maringá (Cesumar), Darcy Pedro Thomaz, explica que o dólar muito alto significa a desvalorização do real, o que pode implicar na volta da inflação. Ele esclarece, entretanto, que precisar de mais reais para comprar dólares favorece as exportações e fortalece a economia do país. ''É bom para o país porque nossos produtos ficam mais baratos lá fora. Exporta-se mais e ganha-se mais'', diz.
Thomaz, entretanto, lembra que o dólar alto dificulta que consumidores brasileiros comprem produtos importados. Na situação atual, com o dólar próximo a R$ 2, o pesquisador diz que está bom para o consumidor comprar produtos importados. ''Agora, internamente, os preços dos produtos para os consumidores ficam mais baratos'', acrescenta Thomaz. O professor Moreto da UEL complementa dizendo que no atual momento é interessante para empresários comprarem maquinários (bens de capitais) importados para atualizar a produção.
Para o professor Maciel da UFPR, o ideal, entre o dólar e o real, é que houvesse uma estabilidade. ''Esses solavancos, esse sobe e desce é que acaba prejudicando mais a economia brasileira''. Segundo ele, existe uma avaliação técnica de que o câmbio ideal como ponto de equilíbrio seria R$ 2,20 por dólar. ''Mas o ponto mais importante do câmbio é que se tenha uma certa normalidade, que as oscilações sejam menos bruscas.''
Maciel pondera, entretanto, que esse equilíbrio é dado pela arbitragem do mercado financeiro, mediante a oferta e a procura da moeda americana no mercado internacional. Para que o Brasil possa suportar esse jogo, segundo ele, é necessário ter reservas em dólar. O economista conta que o país possui US$ 207 bilhões de reservas.
O pesquisador esclarece que, toda vez que há uma forte oferta da moeda americana no mercado interno brasileiro, o dólar se desvaloriza em relação ao real. Nesse momento, segundo ele, o BC entra comprando a moeda no mercado para manter a moeda americana próximo a R$ 2. Inversamente, segundo Maciel, quando há pouca oferta de dólar, o real pode valorizar muito e o BC entra vendendo a moeda americana no mercado interno para desvalorizar o real. ''Agora é preciso ter cacife para isto, e eu acho que o Banco Central (do Brasil) tem feito isto por conta das reservas que foram acumuladas nos últimos anos'', constata.


