As oscilações no câmbio do dólar registradas na última semana, em que a cotação chegou a atingir R$ 2,36 na fronteira entre Brasil e Paraguai, estão afastando os sacoleiros que vão a Ciudad del Este atrás de produtos importados. Mas enquanto os comerciantes paraguaios sofrem com a queda nas vendas, supermercadistas de Foz do Iguaçu comemoram a invasão de argentinos na cidade atrás de produtos brasileiros.
Mesmo registrando significativa redução na cotação do dólar (as casas de câmbio de Foz e Ciudad del Este venderam a moeda americana ontem por R$ 2,28) as lojas do outro lado da Ponte da Amizade continuavam com seus corredores pouco movimentados. Para Charif Hammoud, presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap) no Paraguai, a explosão do dólar vai retrair ainda mais as vendas, já consideradas baixas desde 1999. ‘‘Das 7 mil lojas que tínhamos há dez anos, restam menos de 2 mil. Tenho sido informado que mais portas devem fechar este mês’’, comenta Hammoud, citando negócios que antes atingiam US$ 1 bilhão em um único mês e hoje não chegam a US$ 2 bilhões em todo o ano.
Com a alta do dólar, Foz deixa de receber sacoleiros de diversos estados do País e consegue atrair mais estrangeiros, sejam eles turistas, congressistas ou simplesmente compristas de final de semana. Entre as pequenas mercearias e hipermercados da cidade, o percentual de vendas mantido pelos argentinos, principalmente de Puerto Iguazú (distante 15 quilômetros de Foz), atinge uma média de 30%. Os vizinhos cruzam a fronteira para fazer compras pagas em peso, cuja cotação é praticamente a mesma do dólar.
‘‘Com cinco pesos, compro nove latas de óleo de soja. Na Argentina, consigo apenas cinco com o mesmo dinheiro’’, resumiu o agricultor Carlos Nuñez, enquanto saía de um pequeno mercado próximo à aduana brasileira. Mesmo morando em Puerto Esperanza, distante 60 quilômetros da fronteira, Nuñez disse que valia a pena viajar até Foz para fazer compras que normalmente não ultrapassam 50 pesos. ‘‘Não compramos mais porque a crise em nosso país continua. Felizmente conseguimos nossos mantimentos aqui pela metade do preço.’’
O dono do mercado onde o argentino fazia compras, Pedro Dominguesk, concorda. Mesmo com o estacionamento repleto de carros com placas estrangeiras (no momento em que a reportagem estava no local, eram 26 veículos argentinos), o volume de negócios não chega a ser significativo. ‘‘Temos conseguido boas vendas junto aos argentinos, mas eles não compram muita coisa porque estão com pouco dinheiro. Muitos deles gastam, no máximo, 20 pesos (cerca de R$ 46,00). A crise econômica é generalizada nos três países’’, avalia Domingues.

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