Dólar acumula valorização de 58% no ano
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sábado, 30 de novembro de 2002
Agência Folha 
São Paulo Os ajustes de fim de mês levaram o dólar a encerrar o dia em alta de 1,24%, cotado a R$ 3,650 para compra e a R$ 3,655 para venda. No mês, a moeda norte-americana acumula valorização de 0,69% e, no ano, ganho de 58%.
Além dos ajustes de fim do mês a Ptax (taxa média do BC) do último dia útil do mês que determina o tamanho dos ganhos e perdas com contratos futuros na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) , uma dívida cambial de US$ 2,3 bilhão vence na segunda-feira. Do montante, o governo conseguiu rolar 71,3%.
Para a semana que vem, a expectativa é de queda, com o mercado mais ''relaxado'' com a virada do mês. O próximo vencimento de dívida cambial, de US$ 1,8 bilhão, está marcado para o dia 12.
O BC confirmou que interveio no mercado, mas não revelou o montante. As doses teriam sido pequenas, segundo o mercado.
O volume do dia foi extremamente baixo. Colaboraram para isso o feriado de anteontem nos EUA, as expectativas políticas e o fato de a maior parte dos bancos terem passado o dia envolvidos em seus ajustes de fim de mês, fora do mercado.
Bolsa A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou ontem em alta de 2,63%, aos 10.508 pontos e volume financeiro de R$ 412,959 milhões. No mês, a Bolsa acumula ganhos de 3,35%. No acumulado do ano, no entanto, as perdas são de 22,6%.
A maior alta do Ibovespa (que reúne as 56 ações mais negociadas da Bolsa paulista) foi registrada nas ações ordinárias da Brasil Telecom Participações, que subiram 8,2%, para R$ 14,50 o lote de mil ações. Os papéis preferenciais da operadora subiram 6%, assim como os preferenciais B da Aracruz. Outra alta significativa ocorreu nas preferenciais da Tele Celular Sul, 6,1%. Entre as baixas, a maior ocorreu nos papéis preferenciais da Net, que recuaram 5%.
Para dezembro, o desempenho da Bovespa dependerá de dois fatores: a reação do mercado aos nomes da nova equipe econômica e ao impacto de uma eventual baixa das Bolsas americanas puxada por investidores interessados em embolsar os lucros com as últimas oito semanas de ganhos.
''Dezembro sofrerá muitas pressões: há vencimento de dívida cambial, que sempre é usado pelo mercado para criar volatilidade. Além disso, ocorre uma redução dos negócios por conta do fim do ano. O investidor estrangeiro continuará ausente'', diz o diretor da corretora paulista Planner, Luiz Antonio Vaz das Neves.
Para o diretor da corretora carioca Ágora Senior, Álvaro Bandeira, a atenção dos investidores também estará no próximo mês voltada para o discurso da equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prevista para ser anunciada até o próximo dia 10.
O risco-país do Brasil, medido pelo JP Morgan, caiu 2,4% para 1.586 pontos, e acumulou uma baixa no mês de 8,9%. Para os analistas, a melhora das contas públicas e da balança comercial tem ajudado a valorizar os títulos brasileiros no exterior.


