O dólar voltou a cair ontem pelo sexto dia consecutivo. No fechamento do mercado, a moeda era negociada a R$ 1,87, em queda de 1,06% em relação à véspera. A desvalorização acumulada chega a 13,82% desde o dia 3 de março, quando a moeda começou a descer a ladeira. A ptax do Banco Central fechou a R$ 1,8623 na compra e R$ 1,8631 na venda, em queda de 2,23%
Não há dúvidas quanto à mudança radical nas perspectivas do mercado, agora positivas, que foram acentuadas ontem pela aprovação da proposta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A votação ocorreu na noite de terça-feira e repercutiu no mercado ontem. Somando-se a este fato a posse de Armínio Fraga no comando do Banco Central (BC) e a liberação de recursos do pacote de ajuda financeira ao Brasil para irrigar o mercado de câmbio, é natural a mudança de clima, comentou o gerente da mesa de câmbio do Lloyds Bank, Edson Barbosa de Souza. ‘‘O mercado está bem mais otimista’’, disse.
O executivo explicou, porém, que o volume de vencimentos de dívidas contraídas no exterior nesta semana é insignificante. Mas do dia 26 ao dia 31 nada menos do que US$ 1 bilhão estará vencendo. Trata-se de uma forte pressão de compra por dólares, que deve puxar a taxa. Nesse período, muitos operadores e executivos acreditam que talvez seja necessária uma intervenção mais vigorosa do BC, que até tem adotado a estratégia de consultar sistematicamente as instituições e esporadicamente vende dólares a algum banco.
O preço de fechamento do dólar de ontem é justamente a taxa de câmbio média prevista pelo governo para abril. Pelo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o governo trabalha com um dólar médio de R$ 1,87 para abril e de R$ 1,85 para o fim do mês que vem. Esta última cotação foi a mínima registrada ontem no mercado. Analistas consideraram os números, mesmo sendo apenas indicativos, bastante conservadores em relação à queda acumulada do dólar nos últimos dias.
De qualquer forma, o dólar baixo agora pode garantir a média deste mês fixada no acordo, de R$ 1,982. Até ontem a cotação média do mês estava em R$ 2,03. A hipótese traçada para o fim de mês, no entanto, já foi superada, até o momento: R$ 1,90 é o preço estimado para o dólar no fim de março.
A aprovação da CPMF também trouxe otimismo para as Bolsas de Valores. A de São Paulo (Bovespa) subiu 3,10%, com volume de negociação mais forte, acima dos R$ 500 milhões. Os títulos da dívida externa brasileira, negociados em Londres e em Nova York, ganharam preço. O C-bond, o mais negociado, passou de 59,375% do valor de face ontem para 60,375% do valor de face ontem.
Os rumores de que o Brasil estaria preparando, já para abril, a emissão de US$ 1 bilhão em títulos do Tesouro no mercado internacional animaram ainda mais os investidores. A ação ON (com direito a voto) da Petrobrás foi um grande destaque na Bolsa de Valores de São Paulo, ontem. Esses papéis tiveram valorização de 16,50% em seus preços, para fechar a R$ 123,50 o lote de mil.

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