A desvalorização cambial acelerou a comercialização da safra de soja este ano. O recuo das cotações do dólar também acabou levando muitos produtores a antecipar a comercialização do produto para aproveitar os bons preços na entrada da safra. Segundo o consultor de mercado da Carraro Agribusiness, de Maringá, Carlos Alberto Carraro, na safra passada a maior parte dos produtores segurou as vendas porque havia expectativa de que os preços no segundo semestre seriam melhores. Em 98, segundo Carraro, a saca da soja neste mesmo período era cotada a R$ 13,00. Ontem, a saca variou entre R$ 15,50 e R$ 15,80.
Carraro observou que na semana passada, antes do recuo do dólar frente ao real, a saca ao produtor era cotada a R$ 17,00. ‘‘Na semana passada houve uma corrida de produtores para vender e aproveitar os preços. Mas com a queda da moeda americana, segundo o consultor, houve um recuo nos negócios esta semana. ‘‘O mercado esfriou um pouco, os produtores aguardam que o produto volte a pelo menos R$ 16,50’’, disse.
O consultor da Carraro afirmou no entanto que os produtores que têm compromissos em real ainda vão preferir vender a colheita na entrada da safra. Carraro observou que, se os preços recuaram cerca de R$ 1,20/saca em uma semana, os preços em dólar tiveram alta no mercado interno. ‘‘Quando o dólar estava cotado a R$ 2,10, a saca valia US$ 7,90. Hoje (ontem) a saca estava em US$ 8,30, com o dólar cotado a R$ 1,87’’, comentou.
Para o diretor de Comercialização da Valcoop, de Londrina, Hermelino Nogueira, a queda do dólar acabou provocando uma pressão de oferta ontem no mercado de soja. ‘‘Muitos produtores correram para aproveitar para vender antes que o dólar recue mais’’, afirmou. O diretor da Valcoop observou que na região de Londrina, a colheita ainda é insignificante, mas a medida que o produto é colhido, os produtores estão vendendo.
Nogueira observou que o produtor também acelerou a entrega dos produtos por conta da alta do fretes. Segundo ele, o frete no trecho Londrina-Paranaguá passou de R$ 19,00 praticados em meados de fevereiro, para R$ 30,00 ontem.
O analista da Cotriguaçu, de Cascavel, Fernando Muraro Júnior, disse que os produtores do extremo Oeste do Paraná, onde a colheita já atinge 50%, também venderam a soja para aproveitar os bons preços do grão. ‘‘Quem vendeu na semana passada ganhou dinheiro’’, comentou, observando que a saca do produto era cotada a R$ 17,00 na semana passada. Ontem, a saca havia recuado para R$ 15,50 na região.
Segundo a assessoria de imprensa do Porto de Paranaguá, até ontem, haviam sido embarcadas 223.382 toneladas de soja, um crescimento de 28,9% em relação às 173.214 toneladas embarcadas no mesmo período do ano passado. Ontem, ainda segunda a assessoria, dois navios estavam carregando soja em grão e outros dois farelo de soja. Na baía, aguardando para embarcar haviam 12 navios para grão, quatro para farelo e três com carga mista (grão e farelo).
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura, a produção de soja nesta safra deve ficar em 7,32 milhões de toneladas de soja. As exportações devem somar 1,88 milhão de toneladas de grão, 5 milhões de toneladas de farelo e 400 mil toneladas de óleo de soja. O faturamento das exportações do complexo soja estão estimadas em US$ 1,2 bilhão, o que representa 32,9% do volume exportado pelo Brasil.

mockup