Dólar a R$ 2,52, maior preço em 6 meses
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segunda-feira, 13 de maio de 2002
Agência Estado 
São Paulo - O mercado financeiro ficou histérico ontem por causa da insegurança com os fundamentos econômicos do País, novos rumores sobre pesquisas eleitorais e o possível rebaixamento do rating da dívida do País. As análises do banco de investimento Morgan Stanley Dean Witter, que considera o México e a Rússia mercado seguros de dívida de países emergentes, enquanto o Brasil está no fio da navalha, também azedaram o humor desde cedo.
Em consequência, o dólar comercial fechou no maior preço dos últimos seis meses - em alta de 2,15%, vendido a R$ 2,5210, inferior apenas aos R$ 2,54 do fechamento em 29 de novembro de 2001. Às 17h36, o C-Bond despencava 2,08%, cotado a 73,688 centavos de dólar. E a taxa de risco Brasil, medida pelo Embi+ do JP Morgan, disparou para 977 pontos-base, o mais alto do ano, ante 952 pontos-base do fechamento anterior.
Uma entrevista ontem cedo do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, ao Bom Dia Brasil, ressuscitou no mercado a preocupação com os fundamentos da economia do País. Falando sobre a resposta enérgica que o governo deu às últimas avaliações de risco feitas por bancos estrangeiros, Fraga disse: O que ainda não pegou foi a visão de que nós aprendemos as lições do nosso passado. Toda nossa história de hiperinflação, de década perdida, traz lembranças terríveis. E a minha leitura do que aconteceu, e o que ocorreu veio primeiro nos mercados e não nessas análises, tem a ver com isso. Tem a ver com essa sensação de que, puxa vida, será que as coisas vão continuar no caminho certo, não quer dizer que esteja tudo bem. Aliás, essa coisa dos fundamentos que você mencionou, os fundamentos da economia brasileira não são bons, eles estão bem, no caminho certo. Mas isso pode mudar. É essa dúvida eu acho que o que paira no ar.
Essa avaliação de Fraga associada aos rumores sobre a sucessão provocaram, especialmente à tarde, forte especulação no câmbio e nos mercados de juros e de títulos da dívida. A expectativa sobre o volume grande de rolagens de títulos públicos cambiais em maio e junho e o fluxo negativo, por causa do vencimento expressivo de compromissos de empresas no exterior previsto para esta semana, também ajudaram a pressionar o dólar.


