Dois anos depois de pedagiadas, estradas continuam precárias
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sábado, 10 de abril de 2010
José Maria Tomazela, <br>enviado especial a Cajati<br>Agência Estado 
São Paulo - Dois anos após a concessão para a iniciativa privada, duas das principais rodovias do País, a Fernão Dias (BR-381) e a Régis Bittencourt (BR-116), continuam em estado precário. A concessionária, o grupo OHL, argumenta que o preço baixo do pedágio fixado pelo governo federal não possibilita que se faça os investimentos necessários para melhorar as condições de tráfego e as obras se resumem a tapa-buracos.
A Fernão Dias, que liga São Paulo a Minas Gerais, desafia a paciência dos usuários. Em vários pontos, há redução de pista por causa de obras pontuais.
A pista sentido Belo Horizonte está interditada no km 79, em Mairiporã, na região metropolitana, desde março. Uma encosta cedeu e afetou a estrutura de um viaduto e o tráfego foi desviado para a área urbana. A reabertura da estrada pode demorar seis meses. Em outros dois pontos, nos km 64 e 60, aterros cederam e a pista ameaça desabar.
Na Régis, principal ligação de São Paulo com o Sul do País, os investimentos se resumem à contenção das barreiras e reparos emergenciais. A obra mais esperada, a duplicação dos 30,5 quilômetros do trecho crítico na Serra do Cafezal, entre os municípios de Juquitiba e Miracatu, a 138 km de São Paulo, foi adiada para 2013.
A reportagem percorreu os 299,7 quilômetros do trecho paulista na semana passada, e contou 21 pontos de interdição parcial, com afunilamento ou desvio de tráfego. No km 508, em Cajati, um deslizamento entortou os pilares de um viaduto. A pista sul foi interditada e o trânsito flui por um desvio que também sofre erosão.
A cerca de 90 km dali, em Miracatu, um trecho de dois quilômetros na pista norte está inutilizado pela queda de um barranco. O trânsito foi desviado para a outra pista. Nos dois casos, não há previsão para a liberação.
Motoristas reclamam do asfalto irregular, principalmente entre Miracatu e Juquiá e na região de Barra do Turvo. A cabine trepida e a carga sacoleja, conta Márcio Fontoura, de 37 anos, de Uruguaiana (RS). Em muitos pontos, os tapa-buracos não são suficientes. A pista requer o recapeamento, mas a concessionária tem optado pela reposição do piso afetado. A roçagem não dá conta do mato do canteiro central. Faltam passarelas para pedestres nos trechos urbanos de Miracatu, Jacupiranga e Cajati.
O chileno Luis Contreras, que transporta cargas entre Santiago e Rio de Janeiro, reclama da falta de estacionamento para caminhões. Depois das 21 horas, os postos ficam lotados e não se consegue espaço nem pagando. São comuns assaltos e saques após acidentes. Contreras conta que um caminhoneiro foi morto por assaltantes no dia 30. Roubaram a carga de pneus.
A privatização não eliminou o comércio irregular nas margens da pista. Em Cajati, a reportagem flagrou crianças disputando moedas atiradas pelos motoristas na beira do asfalto. Na subida da Serra do Azeite, as carretas trafegam com marcha reduzida e os moradores pedem dinheiro.
No km 517, um menino com cerca de 9 anos, com uma mochila escolar, corria pela pista e apelava para o motorista de uma carreta. Depois, ele e um colega se arriscaram para catar as moedas que tinham caído no asfalto. O agente da Polícia Rodoviária Federal Roberto Cortez disse que há também casos de prostituição infantil. A gente inibe, mas não dá para manter viaturas fixas nesses locais.
Durante os feriados da Semana Santa, a rodovia registrou 69 acidentes, 34 com vítimas. Foram 48 feridos e quatro mortos.
Duplicação
Só para fazer a duplicação da Serra do Cafezal, um investimento de mais de R$ 300 milhões, o grupo OHL explorará o pedágio durante 25 anos, contados a partir de novembro de 2007. No prazo total do contrato, a empresa terá de investir R$ 3,8 bilhões em melhorias em toda a rodovia.
O trecho da serra é um pesadelo: chegam a se formar comboios de carretas com até 10 quilômetros. A pista sinuosa, com asfalto deteriorado, admite velocidade máxima de 60 km/h, controlada por radares.


