Plataforma de consulta pelas redes sociais indica que dois a cada três votantes são contrários ao fim de plebiscito para venda da Sercomtel
Plataforma de consulta pelas redes sociais indica que dois a cada três votantes são contrários ao fim de plebiscito para venda da Sercomtel | Foto: Reprodução



Com uma semana de consulta aos usuários, duas a cada três pessoas se posicionaram contra a revogação da lei municipal que submete uma possível venda da Sercomtel a um plebiscito. O levantamento foi lançado pelo Conselho de Usuários da telefônica e vai constar no parecer do órgão que será encaminhado à Prefeitura de Londrina.

O resultado consta no site da consulta pública, que começou na segunda-feira da semana passada (26 de fevereiro), e é pouco expressivo em relação ao número de habitantes de Londrina. Até as 13h desta segunda (5), 1.020 pessoas haviam dado sua opinião por meio das redes sociais, das quais 676 (66,3%) votaram pela manutenção do plebiscito e 343 (33,6%) pela revogação da lei. A votação pode ser feita pelo Whatsapp ou pelo Messenger do Facebook, por meio de uma conversa automatizada que se inicia no próprio endereço eletrônico.

Para o presidente do Conselho de Usuários, Ronan Botelho, existe uma omissão por parte dos londrinenses. ""Todas as mídias sociais e todos os veículos de comunicação de Londrina divulgaram a consulta e como proceder. O sistema Talk All (plataforma em que a consulta foi elaborada) patrocinou a sondagem no Facebook. Não tem como dizer que não sabia do processo", diz.

Ele ainda acredita que a ausência de votantes está ligada à descrença de que a Sercomtel pode fechar, mas que, se ela fechar, haverá "estrago gigantesco" nos cofres públicos. Ele ainda conta que há indicativos dentro da empresa de que seja necessário pedir aporte aos sócios para concluir o ano - os principais acionistas são a Prefeitura de Londrina e a Copel.

A revogação da lei é um pedido de entidades representantes da sociedade civil organizada, preocupada com a situação financeira da companhia pública. Para eles, a lei engessa a tomada de decisões importantes para uma empresa que atua num setor bastante dinâmico como o de telecomunicações.

Na Casa de Leis

A Câmara Municipal de Londrina (CML) começou a discutir o pedido de alteração na legislação local na última sexta-feira (2), com uma reunião com a presença de representantes das entidades que solicitam a revogação dos dispositivos legais e funcionários da telefônica. Na ocasião, os servidores disseram não ser contrários às alterações, mas que temem uma venda por um valor muito abaixo do que vale a empresa pública. "Não somos contrários à abertura (de capital) da empresa. Somos contrários a deixá-la sem controle. Estamos falando de 1.220 famílias que podem ser impactadas diretamente por estas mudanças. O que defendemos é que as decisões sejam tomadas com responsabilidade e que o interesse maior seja proteger a Sercomtel", disse o consultor Adalton Gomes.

O presidente da CML, Ailton Nantes (PP), disse que a decisão é muito séria e "deve ser alicerçada por amplo debate". "Queremos ouvir a sociedade e também os anseios dos demais funcionários da companhia, que são quem melhor a conhecem internamente." Os vereadores não descartam uma visita à empresa para obter dados complementares.

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