Dois a cada dez londrinenses não conseguirão pagar contas em atraso
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quarta-feira, 07 de março de 2018
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Duas a cada dez famílias londrinenses não terão capacidade para quitar suas dívidas, aponta o Peic (Perfil de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), pesquisa elaborada pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e divulgada nesta terça-feira (6). O levantamento indica crescimento tanto no percentual dos endividados e quanto daqueles que não conseguirão pagar as contas em atraso.
De acordo com o levantamento divulgado na terça, 62,6% das famílias de Londrina têm a renda comprometida com algum tipo de dívida, como parcelamentos no cartão de crédito, parcelas do carro ou da casa, e, destas, 46,6% admitem que têm alguma conta em atraso. Dentro deste universo, apenas 11% afirmam que conseguirão quitar as dívidas totalmente, 44,4% pagarão parcialmente e 40,7% não conseguirão pagá-las este percentual representa, no fim das contas, 20% do total de pesquisados.

O levantamento trimestral indica que as família com algum comprometimento de renda subiu de 61,9% para 62,6% em três meses. As famílias com dívidas em atraso também subiram de 28,3% na pesquisa anterior para 36,2% na atual e as que admitem que não conseguirão honrar com seus compromissos cresceu de 9,1% dos entrevistados para 17%.
Segundo o coordenador da pesquisa, o economista Marcos Rambalducci, o levantamento é importante para o comércio planejar suas ações. "De nada adianta o comerciante fazer uma promoção se não houver dinheiro rodando na economia. Haverá gastos com divulgação e o retorno pode não compensar", explica.
Cartão de crédito é o maior vilão
Entre as principais contas em atraso, o cartão de crédito é o grande vilão, sendo responsável pelo endividamento de 43,9% dos entrevistados. "É interessante notar que o cartão de crédito só se torna dívida quando há algum tipo de parcelamento, como um televisor comprado em dez parcelas. Se a mesma tevê fosse comprada sem parcelamento, não seria considerado um endividamento", explica Rambalducci.

Outros tipos de dívidas citadas são as prestações do carro (23,1%) e da casa (14%), o crédito consignado (5,3%) ou o pessoal (3,5%) e os pagamentos em carnê (3,5%). O economista também chama a atenção para a ausência do cheque pré-datado e da queda dos pagamentos em carnês na lista das dívidas das famílias. Segundo ele, o consumidor prefere parcelar no cartão de crédito, que não precisa de aprovação de crédito.
De acordo com a renda
O comprometimento de renda é mais grave para os que têm ganhos menores: entre as famílias que vivem com menos de 10 salários mínimos, 64,2% se declaram mais ou menos endividadas, 32,1% se dizem muito endividadas e apenas 1,9% estão pouco endividadas. Quando a renda é acima de dez salários mínimos (R$ 9.540), 60% se dizem mais ou menos endividados, 20% estão muito endividados e 20% pouco endividados.


