Dois a cada dez brasileiros são consumidores conscientes
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de julho de 2015
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
O consumidor consciente é aquele que leva em consideração aspectos financeiros, ambientais e sociais ao optar por determinado produto ou serviço. A questão financeira envolve o controle do orçamento e o consumo apenas daquilo que é necessário. No aspecto social, esse consumidor dá importância para os impactos dos seus hábitos de consumo na sociedade em geral. E o lado ambiental envolve vários pontos como, por exemplo, lembrar que grande parte dos produtos que são comprados foram extraídos de recursos naturais.
No entanto, o número de consumidores com este perfil ainda é baixo no País. Um levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) a partir de uma pesquisa realizada em todas as capitais mostrou que apenas dois (21,8%) em cada dez brasileiros podem ser considerados consumidores plenamente conscientes.
O estudo segmenta os compradores em três categorias, de acordo com a intensidade da prática dos comportamentos considerados adequados. Consumidores conscientes que apresentam frequência de atitudes corretas acima de 80%; consumidores em transição, cuja frequência varia entre 60% e 80% de atitudes adequadas, e consumidores nada ou pouco conscientes, quando a incidência de comportamentos apropriados não atinge 60%. A pesquisa conclui, portanto, que o consumidor brasileiro é, em média, um consumidor em transição.
"O brasileiro é mais centrado na questão financeira", disse o gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges. Para ele, o percentual de 21,8% de consumidores conscientes é um número baixo. "Se o consumidor não é organizado nem nas próprias finanças, imagine se vai olhar para a sociedade e o meio ambiente", afirmou. Ele explicou que a pesquisa considerou como consumidores conscientes aqueles que atingiram mais de 80% da adoção de todas as práticas financeiras, ambientais e sociais.
O vendedor Claudir Modesto é um consumidor que adota diversas práticas conscientes no seu dia a dia. Ele tira do modo standy by os aparelhos eletrônicos que não está usando, só utiliza a torneira elétrica quando é necessário, desliga o chuveiro quando está se ensaboando e só usa a máquina de lavar quando está cheia de roupa. Ele também procura economizar em produtos de limpeza, separa o lixo reciclável e usa sacola retornável para ir ao mercado. Procura pesquisar preços no supermercado e vai ao trabalho a pé ou de bicicleta. "Isso tudo é bom para o meu próprio bem estar. Me sinto bem fazendo estas ações e contribuo para a sociedade como um todo", declarou.
Para o professor do departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vanderlei Sereia, mesmo com o percentual de 21,8% de consumidores conscientes, ele acredita que houve evolução neste aspecto no Brasil nos últimos anos porque hoje as pessoas procuram saber mais sobre os produtos que compram. "O consumo consciente é um processo de aprendizagem, não estático. Não considero os 21% tão baixos. É normal para uma sociedade que ainda não se apropriou de todo esse processo de consciência", justificou.
Ele acredita que o consumo consciente deve considerar principalmente conhecer o máximo possível de um produto que a pessoa está adquirindo e ajustar o orçamento às necessidades da família e à sua capacidade de compra. Vanderlei Sereia lembrou que no caso da água e da energia elétrica criou-se uma consciência coletiva com atitudes de economia por conta da escassez de recursos hídricos e pelos reajustes elevados na conta de luz.
Em média, 74% dos entrevistados realizam as atividades consideradas adequadas para o uso racional da água, sendo que a ação mais difundida é a de fechar a torneira enquanto escova os dentes (90,4%). Em relação ao uso racional da energia elétrica, em média, 76% dos entrevistados colocam em prática as ações consideradas adequadas. O hábito mais comum é o de apagar as luzes de ambientes que não estão sendo utilizados (97,1%).



