Ribeirão Preto - O presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Carlo Lovatelli, afirmou ontem que o surto de gripe suína originado no México ''é preocupante'' e deve impactar em commodities agrícolas, principalmente o milho e a soja.
Lovatelli, no entanto, alertou que o impacto negativo tem também um caráter especulativo. ''A gripe atinge ambos (milho e soja), principalmente na área de alimentação humana. Endemias são perigosas e a fofoca anda na frente, o que mexe com o mercado'', disse.
Lovatelli salientou que a possível queda de preços e de consumo de milho, principal fonte de alimentação suína, terá impactos menores nos Estados Unidos, país que usa grande parte do grão produzido para a produção de etanol. ''Mas a situação é bastante preocupante e pode mexer no milho utilizado como alimento também, apesar de o milho na América do Norte estar focado em energia'', explicou.
O presidente da Abag lembrou ainda que a redução na oferta mundial de suínos pode beneficiar os produtores brasileiros, já que no País ainda não há casos registrados em virtude da doença. ''Pode ser positivo para o País, já que a doença não chegou aqui. Seria bom, pois as indústrias do setor precisam muito desta demanda, porque sofreram com a crise'', concluiu.
Já o secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio, afirmou que a maior preocupação no Brasil é a contaminação de pessoas pelo trânsito internacional. ''Para essa questão, o governo está atento, com ações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)'', opinou.
De acordo com Sampaio, o Brasil e não tem comércio de suínos com o México e o Estado de São Paulo é ''importador'' desses animais para o consumo humano, principalmente do Estado de Santa Catarina.

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