Doença exótica ataca ovinos no Paraná
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
Uma doença que provoca lesões em animais semelhantes da vaca louca foi encontrada em três ovinos na Região Central do Paraná. Em nota de esclarecimento ao público, a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento afirma que se trata de uma doença exótica, conhecida cientificamente como Paraplexia Enzoótica e que ataca e destrói as células nervosas dos cérebros (neurônios) nos ovinos.
O médico-veterinário Felisberto Queiroz Baptista, coordenador da Área de Sanidade Animal da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, descartou qualquer relação com a Encefalopatia Espongiforme dos Bovinos, conhecida como a doença da Vaca Louca.
Assim que soube da confirmação da doença nos ovinos, através de exames de laboratório, a Vigilância Sanitária agiu rápido. Ontem determinou o sacrifício de 290 ovinos aparentemente sadios que tinham relações de parentesco com as três ovelhas doentes e que já foram sacrificadas antes. Entre a descoberta dos sintomas da doença, no início do ano, e o sacríficio dos animais doentes foi no máximo uma semana disse Baptista.
A ocorrência da doença já foi comunicada ao Ministério da Agricultura, em Brasília, e à Organização Internacional de Epizootias em Paris. A esses órgãos interessa a agilidade e a rapidez da Vigilância Sanitária em sacrificar imediatamente os animais, como realmente aconteceu, esclareceu Baptista.
A doença é considerada exótica e se manifestou em ovinos pertencentes a linhagens canadenses importadas dos Estados Unidos no início da década de 90. Segundo Baptista, nos 200 anos que se conhece a Paraplexia Enzoótica em ovinos não se tem nenhum caso registrado na literatura científica de transmissão da doença ao homem, afirmou. Segundo o médico veterinário, as lesões provocadas pela Paraplexia e a Vaca Louca são as mesmas, ou seja a destruição dos neurônios do cérebro, mas os sintomas são totalmente diferentes, e não há relação alguma entre elas, garantiu.
De acordo com a Secretaria da Agricultura, essa foi a primeira ocorrência da Paraplexia Enzoótica dos ovinos registrada no Paraná. Casos da doença são frequentemente registrados no Canadá e nos Estados Unidos, de onde foram importados os animais sacrificados. O sacrífico dos animais demonstra que a Vigilância Sanitária encarou o caso com seriedade, para evitar especulações. Baptista admite que são medidas duras mas que têm de ser adotadas assim que os casos forem registrados, conforme recomenda a OIE.
Para afastar de vez uma possível relação entre a doença registrada no Paraná e a da Vaca Louca, verificada na Europa, a Secretaria da Agricultura informa que resíduos do rebanho ovino paranaense, em obediência à legislação federal não são usados no preparo de ração animal. Esse produto era usado na Europa até o advento da doença da vaca louca. As duas doenças, porém, são clinicamente diferentes, insiste Baptista.


