Documentos mostrarão verdade sobre o Bamerindus, diz Alvaro
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quinta-feira, 01 de junho de 2000
Da Redação 
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) criticou ontem em plenário a negociação que chamou de doação do Bamerindus ao HSBC e que acabou acarretando diversos prejuízos a cidadãos brasileiros. O negócio, segundo lembrou, foi realizado sem transparência e, quando os documentos referentes à transação forem tornados públicos, serão comprovadas as irregularidades. Alvaro afirmou que isso acontecerá em breve por decisão da juíza da 14ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, Regina Helena Costa, determinando que o BC e a Administradora de Valores Midland, associada ao HSBC, apresentem todos os contratos assinados em nome do Bamerindus, desde a intervenção federal em março de 1997. A medida foi considerada pelo senador como um passo importante para resgatar os direitos dos 53 mil acionistas minoritários, que detinham 23,5% do banco.
Alvaro considera todo o processo envolto em mistério e surpreendentemente favorável ao HSBC. Será descerrado o véu colocado sobre essa transação. Com os documentos, será possível conhecer o real teor dos contratos, como a avaliação do patrimônio do banco, tão generosamente doado ao banco estrangeiro, disse ele. O senador também condenou a administração do banco que antecedeu a venda, realizada pela Midland, e que teve o acompanhamento do Banco Central.
Com os documentos, será possível conhecer o real teor dos contratos, as alienações e a gestão do patrimônio do Bamerindus e não tenho dúvida de que significa o primeiro e importante passo para fazer com que os acionistas recebam o que lhes é de direito, ressaltou o senador. Ele disse que a juíza Helena Costa tem inteira razão ao exigir no seu despacho que Banco Central e HSBC informem sobre as avaliações que estão realizando e sobre a forma de alienação. É que, segundo os acionistas minoritários, os valores definidos para os imóveis que o banco inglês assumiu não correspondem aos preços praticados no mercado, frisou, observando que passíveis ainda de questionamento são os valores negociados pelo liquidante.
Alvaro Dias lembrou que o HSBC recebeu os imóveis do Bamerindus (à época, cerca de 2 mil) a preços subfaturados e revendeu-os com boa margem de lucro, para depois alugá-los e ali permanecer com suas agências. Em seu pronunciamento, o senador listou exemplos de algumas dessas negociações que considera suspeitas. Segundo Alvaro, a juíza quer que o Banco Central e o HSBC esclareçam qual foi o resultado da administração da empresa Midland com relação aos ativos do Bamerindus. E tem razão em querer saber, pois, na visão dos acionistas, foi uma administração desastrosa para os interesses dos brasileiros, contando com a conivência do liquidante do BC.
O HSBC adquiriu o banco paranaense com incentivos de R$ 6 bilhões do Programa de Estímulo e Reestruturação do Sistema Financeiro Nacional, o PROER. O programa teve a função de sanear o banco para a venda e a única responsabilidade do grupo inglês foi pagar R$ 350 milhões pelo uso da marca Bamerindus, agora descartada, depois que reembolsou o investimento com lucros fantásticos, um negócio da China, ou melhor de Shangai, cujas entranhas começam agora a ser desvendadas pela Justiça Federal, num processo que poderá resgatar os direitos usurpados de milhares de acionistas brasileiros, afirmou o senador.


