Documento critica política para o álcool
Ribeirão Preto - O esboço de um relatório do Banco Mundial com duras críticas à política sucroalcooleira brasileira mobilizou governo e usineiros a tentar, por meio de ações políticas, reverter ou amenizar o teor final do documento a ser divulgado em setembro, na Índia. Intitulado ''Potencial dos Biocombustíveis para Transportes em Países em Desenvolvimento'', o documento foi elaborado pelo Grupo Temático para a Qualidade do Ar do Banco Mundial, e deveria ser confidencial, mas acabou 'vazando'. Entre outros, tiveram acesso a ele o Ministério da Agricultura e a União da Agroindústria Canavieira (Unica), que prepararam ações na tentativa de mudá-lo ou contestá-lo antes da publicação final.
A Agência Estado teve acesso ao pré-relatório com 125 páginas no qual, em resumo, o Banco Mundial sustenta que o uso do álcool como combustível no Brasil nos últimos 30 anos, desde o início do Proálcool, só deu certo por causa da concessão de subsídios, o que ocorreria até hoje pelo desrespeito a questões ambientais, fundiárias e trabalhistas.
''Se o governo brasileiro deixasse a indústria de bioetanol operar sem o suporte governamental por um bom tempo, tanto em períodos de alta como de baixa seria uma inestimável contribuição informativa para outros países que pensam em adotar programas de biocombustíveis'', diz um trecho do documento. ''Questões fiscais à parte, outras consequências negativas do programa incluem a exacerbação dos problemas trabalhistas, contaminação hídrica e atmosférica pela queimada de resíduos e a competição com outros produtos agrícolas e alimentares'', diz outro trecho.
O Banco Mundial diz ainda que o etanol é, em alguns casos, mais poluidor que a gasolina, e pode causar danos aos motores. Pelo teor das críticas, se o relatório não for mudado será extremamente desencorajador para outros países que pretendem adotar programas semelhantes.
Ao tomar conhecimento do documento, o ministro da Agricultura Roberto Rodrigues encomendou à Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do seu ministério uma resposta para ser dada na conferência na Índia. A resposta está sendo elaborada em conjunto com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, já que a secretária-adjunta, Suani Coelho, é a única brasileira convidada como palestrante no evento. A Unica contratou um estudo, também contestatório, assinado pelos consultores Plínio Mário Nastari, Isaías de Carvalho Macedo e Alfred Szwarc, todos especialistas em bioenergia.





