Doces elevam desempenho da indústria de alimentação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de setembro de 2004
RAmanda Brum<br>Agência Estado 
São Paulo - Depois de enfrentar quedas inéditas de consumo em 2003, a indústria de alimentos parece ter tomado o rumo da recuperação real de vendas. De acordo com a ACNielsen, o volume comercializado na primeira metade do ano foi 3,7% superior ao de igual período do ano passado, enquanto o mercado total auditado pelo instituto, que abrange 153 produtos divididos em 63 categorias, se expandiu apenas 1,4%. O maior destaque entre os alimentos foi a área de mercearia doce, que teve alta de 6,6% de volume de vendas, aumento de 1,7% no faturamento e uma evolução de preços 4,6% abaixo da inflação (medida pelo IPCA).
O segmento de perecíveis, por sua vez, cresceu 2,6% em volume, 4,1% em valor e 1,5% em preço, enquanto os aumentos de mercearia salgada foram de 0,2%, 1,6% e 1,4%, respectivamente. Segundo o levantamento da ACNielsen, os maiores crescimentos se deram entre os bolos industrializados (47%), bacon (24%), carne preparada (18%), café em pó (17%) e mistura para bolo (14%). As maiores quedas foram as de pratos semiprontos (-34%), docinhos, recheios e coberturas (-16%), purê e poupa de tomate (-12%), salgadinhos para acompanhamento (-12%) e petit suisse (-10%).
Enquanto a categoria de alimentos cresceu no primeiro semestre 3,7% em volume e 2,2% em faturamento e teve a evolução de preços 1,5% abaixo da inflação do período, a de bebidas alcóolicas recuou 0,8% em volume, cresceu 0,1% em valor e teve um aumento de preço 0,9% acima da inflação. No caso das bebidas não-alcoólicas, as reduções em volume e valor foram, respectivamente, de 3,5% e 0,4%, enquanto o preço se elevou em 3,2% acima do IPCA.
''O recuo das bebidas alcoólicas foi impactado principalmente pelo mau desempenho das cervejas no primeiro semestre deste ano frente o de 2003, enquanto o de bebidas não-alcoólicas sofreu com as fracas vendas de refrigerantes'', comentou o diretor de Marketing da ACNielsen, Mario Lynch. ''Além disso, ambas as categorias registraram aumentos de preço acima da inflação, o que se reflete no consumo.''
Lynch destacou que o que puxou o crescimento de 1,4% do mercado total auditado pelo instituto na primeira metade do ano foi justamente a categoria de alimentos, seguida pela de higiene e beleza, cuja expansão chegou a 5,8%. ''E pelas nossas projeções este ano deve fechar com um crescimento de 3%, puxado exatamente por essas duas categorias'', afirmou o executivo. ''Muito dessa melhora se deverá às classes C, D e E, que representam 76% da nossa população e em pouco tempo devem responder por mais de 50% do consumo do País.''


