Doces com requinte pelas mãos de dekasseguis
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Mie Francine Chiba <br> Reportagem Local 
Um casal de dekasseguis retornou do Japão depois de anos trabalhando em fábricas automotivas. A esposa, que fez cursos de confeitaria, queria continuar com uma atividade que começou no país asiático: fazer doces em casa. Mesmo com as dificuldades que todo dekassegui enfrenta ao retornar ao país de origem, o negócio cresceu e se transformou em uma loja, no Centro de Londrina. Hoje, o empreendimento que leva o nome de mel em japonês se expandiu e ganha fama pelos doces impecáveis na aparência e no sabor. Em breve, o bairro Bela Suíça também vai ganhar um ''atelier de delícias'', como se descreve o Hachimitsu.
Aos moldes das patisseries francesas, o Hachimitsu é uma pequena loja em uma imensa avenida da cidade. Começou ainda menor, sete anos atrás. Mas está, já há algum tempo, na boca do povo. Não só do londrinense, mas também de pessoas que vêm de outras cidades e, por indicação de amigos, dão uma paradinha na confeitaria. Inúmeros blogs de gastronomia citam o ateliê e elogiam os doces, que quem é londrinense sabe que atrai, em um primeiro momento, pelo olhar.
Quando chegaram ao Japão, em 1990, Nilo e Suely Kato se surpreenderam com os doces japoneses. Esperavam aqueles que o londrinense conhece, como o mandiu, um bolinho japonês recheado com doce de feijão. Mas perceberam que a base da gastronomia de doces lá tem muita influência francesa. ''Quando ela viu uma confeitaria, foi amor à primeira vista'', contou Kato.
Nos últimos anos de Japão, Suely resolveu fazer cursos de confeitaria e fazer bolos para amigos e colegas brasileiros que trabalhavam no Japão: bolos bem ''tupiniquins'', como o de brigadeiro, para matar a saudade do país de origem.
Unindo a estética dos doces franceses ao detalhismo oriental, ao retornar ao Brasil o casal resolveu fazer dos doces um negócio e abriu a loja que permanece hoje na mesma esquina. ''Este tipo de doce era totalmente diferente do que tinha em Londrina, até de São Paulo. Eu não conhecia.'' O produto do Hachimitsu chama a atenção pelo capricho visual - é tão bonito quanto saboroso - e é mais suave no açúcar. Na opinião de Kato, um bom doce ''tem que ter um equilíbrio e mexer com vários sentidos, o visual, o aroma, o sabor, a crocância e a sensação de bem-estar no final''.



