A mudança na política cambial, que provocou uma desvalorização de 41,49% do real desde o dia 13, levou o dólar comercial, usado como referência para a correção dos fundos cambiais, à liderança do ranking das aplicações em janeiro, com alta de 71,33%. A decisão tomada no dia 15 pelo Banco Central (BC) de deixar o dólar flutuar, dois dias depois de uma mal-realizada mudança na política de bandas cambiais, provocou a disparada das cotações da moeda norte-americana.
O preço do dólar passou a ser definido pela oferta e procura. E, como há muitos vencimentos de títulos emitidos no exterior por empresas brasileiras, a demanda supera com folga a oferta, levando à alta das cotações. Boatos sobre moratória da dívida interna também contribuíram para o nervosismo no mercado, especialmente na sexta-feira.
O ouro ficou em segundo lugar, com valorização de 70%. Habitualmente um dos lanterninhas do mercado, o ouro teve essa valorização expressiva porque o preço do metal segue de perto a variação do dólar, uma vez que sua cotação internacional é convertida em reais pela moeda dos EUA. O dólar paralelo ficou em terceiro lugar, subindo 62,79%.
As Bolsas também tiveram bom desempenho, em termos nominais. O IBovespa teve alta de 20,45%. Em dólar, porém, há uma queda de 29,69%. Se deflacionado pela moeda norte-americana, o desempenho das Bolsas é ruim, o mesmo não ocorre em comparação com a renda fixa: aplicações como fundos de 60 dias e CDBs, líderes de rentabilidade durante a maior parte do Plano Real, ficaram bem atrás. Os fundos de 60 dias DI renderam 1,72% líquido, enquanto os fundos de renda fixa de 60 dias tradicionais tiveram rendimento de 1,64%. Já a caderneta rendeu apenas 1,02%, ainda assim acima da inflação medida pelo IGP-M, da FGV, que ficou em 0,45%.

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