O número de mutuários paranaenses que entra na Justiça pedindo revisão do valor do saldo devedor e das parcelas mensais dos financiamentos imobiliários cresceu 100% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 1999. É o que mostra levantamento realizado pela Associação Nacional dos Mutuários (ANM), sediada em Curitiba e aberta a todo o Estado. Nos seis meses foram impetradas 120 ações, mesmo volume registrado durante 1999.
‘‘ O mutuário está mais brigão, procurando os seus direitos’’, diz o diretor regional da ANM, Luiz Alberto Coppetti. Desde que a associação foi instalada no Paraná, em 96, 590 mutuários ingressaram na Justiça.
Segundo Luiz Alberto, é raro o caso de contratos onde não apareçam diferenças a mais durante recálculo dos valores pagos ao sistema. Mas a grande procura pelo serviço da ANM envolve os mutuários de contratos antigos, assinados antes de março de 1990.
Ou, pelo menos, o saldo devedor é muito discutível. Ele exemplificou o caso de um mutuário de Curitiba que assinou contrato em 1991, com cobertura do Fundo de Compensação e Variação Salarial (FCVS), em que se utiliza o Plano de Equivalência Salarial (PES). O mutuário está em dia e pagou em junho uma prestação de R$ 842. O saldo devedor dele é de R$ 127.000. Porém, ao ser feito recálculo, chegou-se um saldo devedor de R$ 20.000 e uma prestação de R$ 373. A assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal (CEF) disse que existem hoje no Paraná 100 mil mutuários e 2.500 ações judiciais.

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