Ter uma contabilidade toda digital pode representar nos dias de hoje, agilidade para suplantar obstáculos em tempos de crise. Calcular e adequar números à receita e despesas das empresas e instituições bancárias acontece quase que instantaneamente. Detalhe: sem nenhuma digitação contábil. Praticamente, no ato do saque de um caixa eletrônico, o banco já fez a contabilidade e orgãos estaduais e federais estão sabendo da manobra financeira. Em lojas e empresas o processo começa a tomar corpo.
Antes dos anos 50, porém, a história era bem outra, uma caneta tinteiro - pena metálica molhada de tinta - escriturava receita e despesa em livrões pretos pesados, preenchidos por mãos hábeis e com uma caligrafia invejável para qualquer doutor de então. Depois de algumas dezenas de carimbos, contínuos levavam as informações para cartórios, associação comercial, repartições públicas e a consolidação dos tributos levava alguns meses (ou até anos) para repousar nos cofres públicos.
O escriturário habilidoso daquela época era o guarda-livros, profissional que foi sucedido pelo contator. ''Os livros contábeis eram todos manuscritos'', recorda José Sawczuk, guarda-livros em 1955, na cidade de Cândido de Abreu. Sawczuk fazia a contabilidade para o pai, comerciante. ''Depois, fui o primeiro contador da Prefeitura de Cândido de Abreu'', lembra, com saudades. Em 1966, veio para Londrina onde exerceu a função de contador em vários escritórios.
Posteriormente, segundo o contador, o livro foi maquinizado, utilizando a máquina de escrever. Um pouco mais a frente, surgem as primeiras máquinas de cálculos. Por volta de 1970, Sawczuk conta que em Telêmaco Borba, a Klabin passa a possuir o primeiro computador. ''Mas o computador era utilizado para o processo industrial, não para contabilidade'', explica. A Sanepar e a IBM começava também em Curitiba a utilização dos PCs.
''A informática era algo fascinante, desconhecida e causou medo nos contadores'', lembra, com saudosismo. Sawczuk conta que toda técnica de contabilidade se deu em computadores da marca IBM, que utilizam um HD (disco rígido) com 317 megabytes, o equivalente a metade de um CD. Sobre o disco rígido da época, o peso de 30 quilos nem se compara a um simples pen-drive de hoje, que pode possuir mais de 60 vezes a capacidade do primeiro HD. O detalhe é que o pen-drive não pesa mais do que 30 gramas. Além do espaço, o contador lembra que as máquinas possuíam quando muito, 8 bytes de memória. ''Isto era uma vaga lembrança se comparada a 2 gigas de memória em computadores comuns de hoje'', compara, ironizando.

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