Do couro sai a correia. E balança perde US$ 800 mi
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sábado, 09 de dezembro de 2000
Oswaldo Petrin De Londrina 
Frigoríficos e pecuaristas não gostaram da medida. Gustavo Fanaya, do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados do Estado do Paraná (Sindicarne/PR), acha que a medida implicará em redução dos preços do boi. E prejudica todo o setor, beneficiando apenas a indústria de calçados localizada basicamente em dois pólos: o Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, e a região de Franca, no Estado de São Paulo.
Este jornal também ouviu, ontem, o diretor do Sindicato da Indústria de Frios do Estado de São Paulo, Hélio Toledo. Ele evitou falar em repasse (da perda de receita dos frigoríficos) para os pecuaristas. Acha que no Estado de São Paulo isto não deve ocorrer. Mas criticou a decisão afirmando que ela beneficia a incompetência das indústria calçadista, que negociou politicamente a medida. A indústria frigorífica virou boi de piranha, para compensar a incompetência dos calçadistas, disse Hélio Toledo.
Cada boi de 16 a 17 arrobas deixa entre 35 e 40 quilos de couro. O preço do couro no frigorífico varia entre R$ 1,50/1,55 o quilo. É dinheiro que gira no comércio e faz parte do giro do frigorífico que terá de compensá-lo de outra forma, lembram Toledo e Fanaya. O couro deixa de ser uma commodity para provavelmente virar excedente no mercado interno.
O setor movimenta cerca de R$ 2 bilhões por ano. Só o couro cru representa para Brasil uma receita anual de US$ 800 milhões/ano. De imediato haverá uma redução na balança comercial, segundo Fanaya e Toledo.
Para se ter idéia dos valores envolvidos nesse negócio, basta lembrar que o Brasil abate entre 32 milhões e 33 milhões de cabeças.


