Do campo para as gôndolas dos supermercados
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quinta-feira, 10 de agosto de 2006
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Não só da agricultura comercial em grande escala e voltada para exportação, é feita a produção rural do Estado. Pequenos pedaços de terras que se transformam em áreas produtivas gerando emprego e renda têm se destacado nesse mercado agrícola. Tecida com alicerces firmes e simples, a agricultura familiar conquista espaço no mercado varejista, ganha o gosto dos consumidores, e acima de tudo se firma como alternativa de renda para produtores rurais e fonte para melhoria de vida no campo.
De produção especializada, porém diversificada, feita de itens que saem do campo direto para o varejo, a atividade tem como base a agregação de valor e a busca contínua de profissionalização. Outra caracaterística da agricultura familiar é o espírito empreendedor.
As histórias dos 1,8 mil produtores rurais que atualmente fazem parte do programa Fábrica do Agricultor - da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), em parceria com a Emater - se confundem: é a busca para fugir da crise constante da agricultura, a procura por emprego e a tentativa de renda para a família.
Foi assim com o produtor rural Guilherme Gomes Redondo e esposa, Neide Barbosa Gomes. Depois de darem por perdida toda uma safra de acerola, encomendada por uma empresa que produzia polpa de fruta e que havia se instalado em Londrina e decretado falência poucos meses depois, o casal decidiu colocar as mãos na massa e produzir eles mesmos as polpas de fruta para revender. ''Isso foi há oito anos, começamos informalmente e para não perder o que já havíamos plantado. O negócio foi dando certo, e depois de um tempo profissionalizamos a empresa'', disse Redondo.
Fora a acerola, há uma produção própria de manga, laranja, tangerina e uva aproveitada para a industrialização de polpas e geléias. Na propriedade de 3,5 alqueires, o casal também tem apostado na plantação de tamarindo - fruta exótica na região. ''As frutas que não plantamos, compramos de produtores parceiros'', contou Neide. Todo o processo de produção acontece ali mesmo na chácara: eles mesmos plantam a matéria-prima, colhem, limpam, industrializam, embalam e levam para o mercado. ''É um trabalho árduo, mas vale a pena'', reforça a produtora.
Atualmente, os produtos da empresa são comercializados em gôndolas específicas de algumas redes supermercadistas, em todo o Estado, além das feiras - Sabores do Paraná - voltadas exatamente para a atividade, e que acontecem em várias regiões do Paraná. ''Nas feiras, a gente está em contato direto com o consumidor, vemos se o produto foi aprovado e o interesse desse público'', comentou Neide.
O negócio que nasceu no improviso, serve atualmente como fonte de renda para toda a família Redondo: o casal, mais a filha Daniela e a nora Maria Rosa. ''Os netinhos também já estão aprendendo. Eles são o futuro dessa empresa'', brinca Redondo. Todos moram na propriedade.
O espírito empreendedor também faz parte da vida do produtor rural Ildo Dal Sasso e sua esposa, Anete. O início da produção de geléias e conservas exóticas foi por necessidade, e deu certo. ''Tínhamos uma empresa do segmento têxtil que faliu, então resolvemos partir para outro negócio. Como já tínhamos algumas receitas de família, apostamos nisso'', lembrou Anete.
Depois da decisão de mudar de ramo, o casal resolveu arrendar um pedaço de terra e plantar a matéria-prima para a produção. ''Também fomos em busca de orientação, junto à Emater, para formatar o negócio, que até agora - depois de cinco anos - tem dado certo'', destacou Dal Sasso. No ano passado, um dos produtos da família - a geléia de batidinha de maracujá - foi um dos representantes da culinária brasileira na França, ano que este país homenageou o Brasil.
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