O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Bolívar Moura Rocha, vai acumular a função de secretário de Produtos de Base ocupada interinamente desde dezembro pelo coordenador do Departamento Nacional de Café (DNAC), Roberto Abreu. O anúncio foi feito pelo próprio Bolívar Rocha, ao final da reunião do Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC).
Na reunião de ontem do Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC) o governo decidiu dar um prazo de espera de 30 dias para o pagamento de 30% das dívidas de pré-comercialização e retenção de café estimadas em cerca de R$ 300 milhões, e mais 45 dias para a quitação total do débito.
O setor cafeeiro defendia a prorrogação do pagamento por 180 dias, mas como os vencimentos são escalonados a partir do final de janeiro, o governo acredita que acabou conseguindo uma vitória ao reduzir o prazo.
Segundo Roberto Abreu, do total de R$ 172,1 milhões dos débitos de pré-comercialização, R$ 27 milhões vencem em janeiro, R$ 46 milhões em fevereiro, R$ 72 milhões em março, R$ 25 milhões em abril e R$ 426 mil em maio. ‘‘Se prorrogássemos por seis meses os vencimentos de março, por exemplo, o dinheiro só entraria em setembro e poderia prejudicar o fluxo de recursos do Funcafé para o financiamento da safra’’, disse uma fonte do governo. Com a fórmula aprovada, todo o dinheiro retornará ao Funcafé ainda no primeiro semestre, e não comprometerá o fluxo dos empréstimos.
O volume de café ofertado nos leilões dos estoques oficiais deverá aumentar a partir da próxima venda, marcada para o dia 10 de fevereiro, numa tentativa do governo de frear o aumento dos preços do produto no mercado.
Torrefação Ainda na reunião do CDPC, os representantes da indústria de torrefação fizeram um relato da situação difícil do mercado, afirmando que o café desapareceu, os preços aumentaram e não há como deixar de repassar o aumento. O volume de café dos estoques oficiais colocado à venda geralmente é definido pela secretaria de Produtos de Base uma semana antes da realização dos leilões.
Em 13 de janeiro todas as 83 mil sacas ofertadas através do leilão eletrônico do Banco do Brasil foram vendidas e já há consenso no governo de que é preciso ampliar a oferta.
Depois da venda de fevereiro os próximos leilões de café do governo estão marcados para 10 de março, 07 de abril, 05 de maio, 09 de junho, 07 de julho, 04 de agosto, 15 de setembro, 06 de outubro, 10 de novembro e 08 de dezembro.
A indústria de café solúvel está insistindo com o governo para autorizar a realização de operações ‘‘draw-back’’, numa alternativa para vencer as dificuldades de competitividade das empresas, já que a proposta de leilões dos estoques oficiais direcionados para o setor está praticamente descartada.
O setor de produção, no entanto, se posiciona totalmente contrário à realização de ‘‘draw-back’’, alegando que seria ruim para a imagem do País, maior produtor e exportador mundial de café, com um estoque atual de 9,6 milhões de sacas, passar a importar o produto para atender à indústria de solúvel. Além disso, argumentam, a entrada de café estrangeiro poderá colocar em risco a produção com a entrada de pragas. ‘‘A situação está insolúvel’’, disse uma fonte do CDPC.
O governo resiste à manutenção do programa de leilões específicos para a indústria de solúvel porque é uma operação de longo prazo - os compradores têm três anos para pagar - que não seria bem vista num momento de crise econômica.
Além disso, segundo um dos participantes da reunião, o setor apresentou um levantamento mostrando a ‘‘performance’’ exportadora do solúvel nos últimos anos.
Em 1998, apesar da realização dos leilões de café do governo, as vendas externas do setor caíram. ‘‘É certo que a crise na Rússia contribuiu para isso, mas o fundamental é que o programa de leilões não cumpriu sua finalidade de ajudar o setor a exportar mais’’, disse a fonte.
O fator positivo da proposta do setor de solúvel, na avaliação do governo, é que o custo de manutenção dos estoques do café tecnicamente chamado de ‘‘desmerecido’’ seria reduzido com a oferta para as indústrias. Para fazer café solúvel as empresas usam 70% de café robusta e 30% de arábica. Os estoques oficiais de robusta são antigos e sua venda poderia reduzir os gastos do governo com a armazenagem.

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