Dixie demite mais de 70 em Londrina
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terça-feira, 01 de dezembro de 1998
Cláudia Lopes 
A empresa de embalagens Dixie Toga demitiu ontem entre 70 e 80 funcionários de suas duas unidades instaladas na Cidade Industrial de Londrina (CIL). As demissões também atingiram outras fábricas do grupo no País. Apesar de não revelar o número exato de demitidos pela empresa no Brasil, o presidente do grupo, Walter Schalka, disse que é inferior a 300 empregados.
Schalka disse que o desligamento dos funcionários deve-se à adequação da empresa à nova conjuntura econômica do País. Ele afirmou que, ao se instalar em Londrina, a Dixie esperava obter um incremento nos negócios, ganhando novos mercados por conta da redução de custos provenientes da mudança de São Paulo para o interior do Paraná. Mas, nos últimos três meses, o volume de vendas não aumentou no ritmo que esperávamos e as unidades ficaram com 35% de ociosidade. A capacidade produtiva mensal da Dixie Toga em Londrina é 18 milhões de metros na unidade de flexografia e de mil toneladas na de food service.
O presidente da Dixie disse à Folha que a empresa estava operando com um número de trabalhadores acima das expectativas iniciais. Iríamos contratar 400 e acabamos com 510 empregados. Schalka disse que as demissões não irão afetar os planos da empresa para Londrina. Segundo ele, em janeiro do próximo ano a empresa vai inaugurar uma nova unidade, contratando 350 funcionários. As admissões começam em fevereiro.
Cerca de 20 funcionários dos que seriam demitidos ontem serão remanejados para a nova fábrica, segundo Elaine Galon, supervisora de Recursos Humanos da empresa em Londrina. Estes empregados estão sendo retreinados há três meses, afirmou. Ela disse que todos os funcionários das duas unidades também entrarão em férias coletivas antecipadas a partir do dia 20 do próximo mês, por um período de 15 a 20 dias. Elaine garantiu que só foram demitidos ontem funcionários que não tinham condições de reaproveitamento na nova unidade ou quem não tinha interesse no remanejamento.
O secretário do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Material Plástico do Norte do Paraná, Sandro Miranda, afirmou que o sindicato tomou conhecimento das demissões a partir do telefonema de um ex-funcionário. Ficamos sabendo que cerca de 100 pessoas perderam o emprego. Foi uma surpresa, disse. Até o final da tarde de ontem, o sindicato ainda não havia conseguido falar com a diretoria da Dixie Toga, em São Paulo, para saber os motivos das demissões.
O secretário do sndicato disse que a empresa tem prazo de dez dias para fazer as rescisões contratuais. A racionalização de custos não é uma boa explicação para demissões, segundo Miranda. Principalmente quando a empresa consegue tantos benefícios dos governos municipal e estadual, afirmou. Isso mostra que a prefeitura de Londrina tem que repensar sua política de industrialização. Ele acredita que, ao receber os benefícios, a empresa deveria assinar um contrato garantindo um número de empregos por um determinado período. A Folha tentou fazer contato com o prefeito Antonio Belinati e com o presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), José Cândido Muller, mas não obteve retorno.


