Divisão de categorias cria um sindicato por dia
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terça-feira, 21 de junho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A divisão excessiva de categorias de trabalhadores tem levado à criação de um sindicato por dia. A estimativa é do Ministério do Trabalho que contabiliza a existência de 24 mil entidades sindicais, de trabalhadores e patronais, em todo o País. Só no ano passado foram apresentados pedidos de abertura de registros para 18 centrais sindicais com 18 mil sindicatos, disse o secretario geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Paraná, José Alexandre dos Santos.
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Vantuil Abdala, determinou a atualização do atual quadro de registro sindical. Mas o Ministério do Trabalho está encontrando dificuldades em chegar o número preciso de sindicatos no País porque o registro dessas entidades não é obrigatório. O secretário adjunto de Relações do Trabalho, Marco Antonio de Oliveira, explicou que muitos sindicatos possuem código para o recebimento da contribuição sindical obrigatória, mas não têm registro.
Esse movimento de ''pulverização'' de sindicatos está enfraquecendo a atuação sindical, avaliou Santos. Ele atribuiu a situação às facilidades do Ministério do Trabalho, que acolhe os novos sindicatos, que se habilitam como entidades apenas para receberem o imposto sindical. O imposto sindical corresponde ao valor de um dia de trabalho, recolhido pelo Ministério dos Trabalho. Ocorre que 60% desses recursos são repassados aos sindicatos.
O restabelecimento dos sindicatos representativos das categorias está sendo avaliado pela reforma sindical, em tramitação no Congresso. Se a reforma for aprovada, as divisões de categorias serão vetadas. O sindicalista citou como exemplo de enfraquecimento de categoria o que aconteceu no Sintracon - Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil do Paraná - do qual ele faz parte.
O Sintracon que chegou a ter cerca de 30 mil trabalhadores no Paraná, têm hoje entre 10 mil a 12 mil trabalhadores. O desdobramento da categoria permitiu a criação de outros seis ou sete sindicatos. ''Só do Sintracon foram criados sindicatos de eletricistas, pintores, mármores e granitos, ladrilhos, hidráulicos, cal e gesso'', afirmou. ''Com a reforma, os trabalhadores de uma mesma categoria passam a pertencer a uma só base e os sindicatos ficam mais fortes'', prevê.
Outro exemplo de enfraquecimento sindical, citado por Santos, são os trabalhadores no comércio. Segundo ele, atualmente existem sindicatos de trabalhadores em supermercados, em hipermercados, em shoppings centers e em lojas comerciais. ''Por que criar até cinco sindicatos se a categoria é a mesma?'' perguntou.


