Dois anos com o nome preso ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e ao Serasa. A compulsão por comprar aleatoriamente causou grandes problemas ao operador de caixa Fabiano (nome fictício). Em algumas situações, ele chegou a gastar três vezes mais que seu salário de R$ 500. O saldo da compulsão foi um acúmulo de dívidas intermináveis e problemas emocionais, como depressão.
Fabiano conta que a compulsão por comprar foi aumentando a medida que as lojas faziam promoções e facilitavam o pagamento. Ele lembra de uma oportunidade em que comprou uma televisão, um aparelho de som e um de DVD, tudo de uma vez. Em outra, comprou mais de mil folhas de papel sulfite sem necessidade. Porém, o maior exemplo da falta de controle do operador foi quando comprou um mesmo CD duas vezes. ''Primeiro comprei por R$ 22. Depois de alguns dias vi o mesmo CD por R$ 9,00 e comprei novamente'', relatou.
Segundo Fabiano, quando percebeu que não teria condições de pagar as dívidas com seu salário, decidiu emprestar de financiadoras. ''Foi aí que os problemas aumentaram. Os juros são exorbitantes'', declarou. Tentando justificar sua compulsão pelas compras, o operador de caixa afirmou que muitas vezes agiu dessa forma para ''fugir do stress''. ''Essa compulsão pode acontecer por causa da angústia'', justificou Fabiano, frisando que em seu caso o problema era mais grave porque ele não o dividia com a família.
Os problemas diminuiram depois que ele passou a frequentar as reuniões dos Devedores Anônimos (D.A.), em abril do ano passado. O trabalho realizado nas reuniões semanais, em uma sala da Catedral, é semelhante aos grupos de ajuda a viciados em álcool e drogas. Nos encontros, os presentes são chamados a contar suas experiências e recebem instruções de auto-ajuda. ''Agora consigo controlar minhas contas'', pontuou.

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