A queda no faturamento e o aumento dos custos fixos estão sufocando a pequena e média empresa. Desde o começo do ano, a queda no movimento das lojas no comércio varejista caiu 30% e os empresários estão enfrentando sérias dificuldades. Para agravar a situação, esse segmento não conta hoje com o respaldo de um banco de fomento para oferecer capital com o mesmo custo financeiro que os grandes grupos comerciais estão trazendo de fora, o que inviabiliza a competição, avalia o diretor da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Curitiba, Newton Carlos Campos.
Campos concordou com a iniciativa do governo do estado do Paraná em investir no setor industrial, mas ele afirma que, até esses investimentos amadurecerem, muita pequena e média empresa estará fechada. ‘‘Será que estaremos de portas abertas quando esses investimentos estiverem dando retorno ao mercado interno’’, pergunta. Campos atribui o aumento das dificuldades das empresas à elevação dos custos financeiros.
Enquanto os juros oferecidos na captação variam entre 1,2% e 1,6% ao mês, o banco oferece capital às pequenas e médias empresas a 8% ao mês. ‘‘Com essa taxa é impossível tomar recursos emprestados para colocar mais mercadorias na loja a preços mais baratos e financiar o cliente, como estão fazendo os grandes grupos comerciais’’. Além das dificuldades de competição no comércio, Campos ataca a voracidade do governo na cobrança de tributos que elevam os custos fixos das empresas.
Os custos com ICMS e encargos sociais estão elevadíssimos e muitos empresários estão deixando de pagar porque não têm faturamento suficiente para saldar todos os débitos. ‘‘Dói o companheiro ser flagrado pela fiscalização e exposto na mídia como sonegador. Hoje o pequeno e médio empresários estão sendo acuados e estão sem condições de respirar, e não podemos aceitar a pecha de sonegadores’’, afirma. Segundo Campos, o governo está criando uma perseguição ao pequeno e médio empresário, o que desestimula qualquer empreendimento.
Para o presidente da Associação Comercial do Paraná, Ardisson Ackel, as dificuldades para a pequena e média empresa estão se agravando e tem muitas empresas fechando as portas, transferindo-se para a informalidade.‘‘O empresário que antes tinha uma empresa, transferiu-se para uma atividade de fundo de quintal, reduziu o número de empregos formais e o resultado é a redução da atividade econômica’’. Ackel critica o alto custo do dinheiro no mercado financeiro e diz que ele alimenta a inadimplência que se instalou como efeito dominó. ‘‘O cidadão não paga o varejo, que não paga a indústria, que não paga o banco e este por sua vez eleva o custo do dinheiro para compensar o risco’’.
Ackel critica também a estrutura complexa e onerosa em que se transformou a cobrança de impostos no País. ‘‘São tantas as exigências de ordem fiscal, que o empresário é obrigado a manter uma estrutura pesada para o pagamento de impostos e mesmo assim, se for submetido a alguma fiscalização, é flagrado em algum tipo de erro’’, aponta. Ele atribui essa dificuldade à falta de transparência dos impostos e também à falta de informação ao consumidor que, na maioria das vezes, compra o produto sem saber quanto está pagando de imposto.

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