Dívidas levarão boa parte do 13º salário, afirmam trabalhadores
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sábado, 25 de outubro de 1997
Agência Estado São Paulo 
A parcela do 13º que será gasta com a quitação de débitos vem aumentando a cada ano, e desta vez não será diferente. O décimo-terceiro salário, com a primeira parcela a ser paga no dia 30 de novembro, deve ajudar a aliviar o peso da dívida das costas dos consumidores. Algumas pesquisas indicam que comércio, bancos e financeiras devem embolsar de cara R$ 3 bilhões dos R$ 9,5 bilhões que ingressam na economia neste final de ano com o pagamento do 13º.
Na verdade, o consumidor conta cada vez mais com o 13º salário para conseguir pagar suas dívidas. Pelo menos 28% dos entrevistados pelo InformEstado anteciparam a primeira parcela por ocasião das férias e ficar em dia com as contas pessoais foi a alternativa registrada por 34% para o destino do dinheiro. Em 95, a mesma finalidade foi indicada por 20% e, no ano passado, por 27,5% dos entrevistados.
A aquisição de eletrodomésticos e produtos eletrônicos passou a ser o sexto lugar no ranking das intenções - era a terceira no ano passado. Em 96, 19% dos entrevistados queriam comprar esse tipo de produto. Nesse Natal, são apenas 7%.
Os eletroeletrônicos praticamente trocaram de lugar na relação de despesas do consumidor com os materiais de construção, a segunda preferência indicada na pesquisa. Nada menos de 26% afirmaram que querem dispender o salário extra com material para reforma da casa, mais do dobro dos que apontaram esse item em 96.
Segundo a pesquisa, a maioria relativa dos paulistanos continua preferindo gastos modestos, que se concentrarão em roupas e alimentos - opção indicada por 31%. A compra de um automóvel ainda seduz, embora menos que no ano passado: 13% pretendem ter um agora, ante 20% no ano passado.
A pesquisa do InformEstado foi feita com 600 pessoas da cidade de São Paulo - 392 foram entrevistadas por telefone e 208 foram abordadas em pontos de circulação distribuídos pela capital. A maioria dos entrevistados (79%) era assalariado de empresa privada e 18% trabalham no funcionalismo público. Por faixa de renda, 21% ganham até 5 salários mínimos, 29% entre 5 a 10 mínimos, 24% entre 10 e 20 mínimos e 23% recebiam mais de 20 mínimos.
Já começou a corrida do comércio para disputar R$ 14,82 bilhões extras que entram na economia no final de ano, por conta do pagamento do 13º salário. Além dos tradicionais sorteios promovidos pelos shoppings, neste ano as grandes redes de lojas tentam laçar o consumidor com planos de financiamento que dão algum fôlego ao cliente, caso ele fique desempregado.
Em setembro, havia, só na Grande São Paulo, 1,409 milhão de pessoas sem trabalho ou 16,3% da População Economicamente Ativa (PEA), segundo pesquisa da Fundação Seade e do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Esse índice é recorde e contraria o movimento normal dessa época, quando a indústria reforça o quadro de pessoal para atender às encomendas do Natal.
Com preços estáveis, condições de pagamento praticamente idênticas entre as lojas e vendas em baixa - de janeiro a setembro, o faturamento das lojas na cidade de São Paulo caiu 3,6% na comparação igual período de 1996, segundo a federação do comércio - há companhias que optaram pela venda casada nesse final de ano. A loja oferece um bônus na compra de um produto com direito a desconto, se o cliente voltar a adquirir mercadorias até o Natal.


