Dívidas levam produtor à morte
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sexta-feira, 20 de maio de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O valor das dívidas junto a uma fornecedora de insumos teria levado um agricultor da região Norte do Paraná ao suicídio. Ontem pela manhã, o agricultor foi encontrado enforcado junto ao seu caminhão, no meio da lavoura de soja que arrendava. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Marilândia do Sul (34 km ao sul de Apucarana), Herst Sturzenneger, o comentário na região era que o agricultor tinha R$ 130 mil em dívidas, pagou R$ 30 mil e não tinha mais condições de pagar o restante.
Segundo Sturzenneger, os agricultores estão sufocados com a falta de perspectivas para saldar as dívidas. Eles contraíram financiamento para o custeio, quando os preços dos insumos estavam em alta. Com a estiagem perderam parte das lavouras e agora não conseguem vender a produção por causa do dólar barato. A soja valia R$ 40 a saca e agora caiu para R$ 27,00 a saca. ''Com esse valor não dá para pagar as dívidas'', disse.
Sturzenneger, que planta soja e milho numa área de 25 alqueires, entre terra própria e arrendada, disse que vai propor a rolagem das dívidas que têm cerca de R$ 40 mil , junto a uma multinacional fornecedora de insumos, para o ano que vem. O agricultor diz que não tem condições de saldá-la este ano. ''Não sei se a empresa vai aceitar, mas não tenho como pagar agora'', lamentou.
Para o presidente do sindicato, a situação está ficando insustentável. Os agricultores da região estão revoltados porque pagam 48% da renda em impostos e eles não têm dinheiro para pagar os bancos e fornecedores. ''Enquanto isso, o governo atende os integrantes do Movimento dos Sem-Terra, prometem terra, dinheiro para custeio, assistência técnica, tudo de graça e eles não têm compromissos nem dívidas como a gente'', desabafou. Sturzenneger está com medo de perder o que construiu em 40 anos de trabalho por causa da seca.
No próximo dia 31, cooperativas, sindicatos rurais e produtores farão uma grande manifestação em todas as regiões do Paraná, em protesto contra a demora do governo federal em adotar as medidas emergenciais prometidas para aliviar o meio rural prejudicado por causa da estiagem.


